segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entrevista Tribuna da Bahia com o Deputado Zezéu Ribeiro


Tribuna da Bahia – Por que tanta dificuldade para emplacar ministros baianos no governo Dilma?


Zezéu Ribeiro – Olha, baianos, já tem até alguns. Tem o Mário Negromonte, que é baiano. Tem a Luiza Bairros, que não é baiana, mas está erradicada na Bahia há muitos anos. A Lúcia Falcón, que é baiana, está em Aracaju, e vai para o Desenvolvimento Agrário. Quer dizer, tem baianos. Eu acho que, no PT, a gente cometeu um erro, porque teve um Ministério muito paulistano. Dos oito primeiros cargos de ministros, eram oito do PT e oito de São Paulo, então, eu acho que isso é um equívoco. Você tinha que pluralizar mais geograficamente esse processo. Depois, se você imaginar uma postura estratégica do crescimento do partido, o Nordeste deu uma vitória mais expressiva. Para você ter uma ideia, o PMDB tem três dos cinco ministros nordestinos, o PSB, dos dois ministros, dois são nordestinos, o PCdoB, possivelmente, terá a Luciana (Santos, PCdoB). Então, a região Nordeste vai ter uma porção de ministros e são ministros não petistas. O PT ficou numa situação difícil em relação a isso e eu acho isso ruim.

Tribuna – Foi uma falha do PT baiano, uma falha do governador?

Zezéu – Não, eu acho que a gente, no PT, sofre. Eu faço política desde a política secundarista. Na política secundarista, universitária, profissional, sindical, a gente tem uma mentalidade daquela coisa da locomotiva puxando os vagões. Veem o Brasil a partir de São Paulo e essa é uma perspectiva ruim e esta se afirma culturalmente nesse processo todo pela pujança, pela importância que se tem em São Paulo, e isso acaba minimizando todas as outras áreas. Faz parte da cultura paulistana, e o PT é dependente desse processo.

Tribuna – O governador Jaques Wagner fala muito da relação pessoal com a presidente Dilma. Ele estaria com dificuldades para garantir espaço na formação ministerial?

Zezéu – Ele colocou as nossas reivindicações. Não foi contemplado, a princípio. É um processo de conquista de espaço. A nível dos investimentos, ele tem conseguido atrair coisas importantes para a Bahia e ele quer projetos, quer alterar esse padrão da Bahia e vai fazê-lo no curso do processo.

Tribuna – A Bahia tem hoje a Integração, a Cultura, o Esporte, a CGU, a Petrobras. Qual deveria ser o espaço do PT baiano na nova formação ministerial?

Zezéu – Isso não é pontificável dessa forma. Você fez, inclusive, uma generalização boa porque você tem dois que estão fora da Bahia há muito tempo e não têm hoje essa ligação com o estado, e não foi por indicação da Bahia. Então, aí a gente pode ampliar. Mas o que a gente tem que ter condição é de ter presença no cenário nacional e ter capacidade de influenciar decisões políticas. Isso se faz através da bancada, através do governador e da representação ministerial também. Eu acho que nesse ponto a gente é credor.

Tribuna – A Bahia teve grande relevância na eleição federal. O PT baiano não estaria sendo desprestigiado pela não presença de um petista na composição do Ministério dela?

Zezéu – Não dá para ficar chovendo no molhado. Eu já coloquei essa questão. Não dá para medir dessa forma. Agora, eu acho que o Nordeste como um todo, o PT do Nordeste como um todo, pela importância, e a Bahia, em particular, terminaram não tendo a representatividade que mereceu no quadro ministerial.

Tribuna – Existe alguma possibilidade de o PT nacional ceder espaço de decisão para outros estados? A Bahia tem pleiteado isso junto à executiva?

Zezéu – A gente não pode fazer guerra, mas temos que lutar por um tratamento diferenciado para o Nordeste porque se a gente trata igualmente os desiguais, a gente acirra a desigualdade. Isso se dá no âmbito das políticas públicas. Temos feito políticas públicas que levaram a um crescimento maior do Nordeste do que a média nacional. Isso se dá através de injeção de recursos e, para isso, a representatividade nesse sentido é fundamental. Então, nós vamos lutar por isso. Eu coordenei a bancada do Nordeste nesses quatro anos e usei esse espaço para podermos trabalhar nessa diferenciação. Agora a gente tem que avançar. A gente precisa ter efetivamente implantada uma política nacional de desenvolvimento regional. Recriamos a Sudene, mas, infelizmente, ela não teve força em posição dos vetos colocados ao projeto e, por inépcia da administração, a gente ficou sem alavancar como deveria e, por essa razão, não criamos o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, mas criamos o arcabouço de uma política nacional de desenvolvimento regional. Então, quer dizer, são avanços setoriais, pontuais, às vezes gerais, mas acho que não chegam ao desiderato maior e agente vai construindo e, com certeza, alterando essa realidade.

Tribuna – Expectativas para o governo Dilma. Qual será a maior vantagem encontrada e o maior problema herdado, para ser administrado?

Zezéu – Dilma já encontra um espaço aberto para começar. Existe uma resistência ideológica, muitas vezes até dos próprios parceiros, mas o governo Lula conseguiu um sucesso extraordinário, então isso abriu o caminho, é uma grande estrada aberta para isso. Essa é a vantagem que ela tem. Ela foi eleita, inclusive, em cima disso. Claro que a influência pessoal de Lula tem, mas não é porque Lula faz um bom discurso, é também por isso, mas é porque Lula mudou a realidade do povo. Nós criamos um processo de mobilidade social extraordinário com distribuição de riquezas, quebramos o paradigma de que é preciso concentrar para crescer. Entendemos que, para crescer, precisamos distribuir para criar um mercado interno e esse mercado interno fosse indutor do crescimento e isso deu certo.

Tribuna – Formação do secretariado Wagner. Acredita que o governador conseguirá imprimir um ritmo mais técnico à sua gestão?

Zezéu – Na política, a técnica vem como aporte. Nós temos que ter um secretariado com uma perspectiva política concreta, de incrementação dessas políticas e compreensão das prioridades, e que você tenha um respaldo técnico para isso. Então, você tem que fazer a composição desses dois fatores. Tem que ter a capacidade técnica de respaldar uma política concreta de transformação da realidade. Eu espero que as alterações que vão ser feitas, que não vão ser completas - é um governo de continuidade, não de afirmação, respaldado enormemente nas urnas, pela votação expressiva - são só do governador. Mas, por termos eleito a maior bancada do nosso partido e constituído maioria na Câmara Federal e na bancada da Bahia, fazendo na Assembleia Legislativa a maior bancada, por termos eleito os dois senadores, eleito a presidente da República com uma margem espetacular, isso nos dá uma tranquilidade muito grande de estar em sintonia com os anseios populares. Agora, isso não pode parar. Tem que ser respaldado com as forças da sociedade, com movimento social, com empresariado, com o corpo acadêmico, técnico, que escute, que participe, a sociedade organizada como um todo.

Tribuna – Como acomodar tantos partidos em tão poucos espaços no primeiro escalão do governo?

Zezéu – Tem muito espaço. Temos que ocupar esse espaço sem aparelhamento, ocupando-o de forma republicana, mas com o partilhamento das forças. Tem uma crítica à amplitude que está tomando na Assembleia Legislativa. A gente não precisa ser tão grande porque aí a gente traz o inimigo para dormir com a gente e isso é ruim. Então, a gente tem que diferenciar essa questão e não se submeter a uma maioria que termina sendo uma maioria falsa. Tem que agregar mais. Ter uma base mais sólida, mais coesa e consequente nesse processo.

Tribuna – Há um risco para o governador com esse inchaço na bancada governista?

Zezéu – Eu não posse chegar e afirmar isso, mas me cheira a uma coisa que não é boa.

Tribuna – O senhor tem alguma pretensão de participar do governo Wagner?

Zezéu – Eu fui reeleito para ser deputado. Estou buscando meus espaços na Câmara Federal. Acabei de ser nomeado agora como relator da medida provisória (MP) 514, que trata das operações do projeto Minha Casa, Minha Vida. Estou me credenciando para participar esse ano da Comissão do Orçamento, quero continuar o trabalho que venho fazendo na Comissão de Desenvolvimento Urbano, quero participar da Comissão do Meio Ambiente. Então, estou estruturando meu mandato. Essa foi a tarefa que o povo me deu. Se vier uma outra coisa, a gente vai ter que discutir o que fazer, como fazer e que condições a gente vai ter para fazer.

Tribuna – Qual a avaliação do senhor sobre a gestão do prefeito João Henrique?

Zezéu – Eu acho que a administração de João Henrique se apartou da cidade, está a serviço de alguns grupos econômicos. Desde o início passou por dificuldades. Nós fizemos um esforço no primeiro dele de participar, saímos de uma forma que eu acho que foi ruim porque não dialogamos com a sociedade no sentido de mostrar a diferenciação do nosso projeto para o que estava sendo realizado e terminou parecendo um oportunismo eleitoral, retardamos esse processo, saindo sem uma preparação. A população deve ser tratada como aliada, fazendo críticas, mas críticas construtivas, na expectativa de ficar e não na expectativa de sair. Se for fazer uma avaliação a respeito de ficar ou sair, eu assumo também a responsabilidade coletiva disso também, não estamos transferindo para ninguém e o governo foi se esvaindo, perdendo sua legitimidade. Infelizmente, acabamos passando por essa situação.

Tribuna – O que o senhor considera ser o maior erro e o maior acerto da gestão de João Henrique?

Zezéu – Olha, o processo, formalmente, se aplica com a deterioração do plano diretor. O plano diretor foi uma encomenda atendendo a determinados segmentos do setor econômico e não da cidade como um todo. A gente vive, então, uma deterioração do espaço urbano, uma dificuldade cada vez maior de mobilidade, por ações até externas, quer dizer, essa volúpia da indústria automobilística... Cada dia chega mais carro do que nasce gente, essa coisa vai crescendo e não tem solução. Ou a gente enfrenta a questão do transporte de massa e cria outro mecanismo de mobilidade urbana, ou a gente pensa a cidade para trabalhar o não transporte... Quer dizer, as pessoas têm acesso a muitos desserviços, que deveriam ter uma relação de vizinhança e não têm. É necessário induzir a localização de equipamentos públicos e privados, criando vantagens para sua localização. Então, a cidade não é olhada com carinho, é olhada como negócio e, aí, ela perde.

Tribuna – Qual será o posicionamento do PT em relação a João Henrique?

Zezéu – O PT tem que ter um posicionamento com relação à cidade de Salvador. A gente tem que discutir profundamente a cidade de Salvador, levantar políticas públicas, buscar ajudar a administração no sentido de que melhore a qualidade de vida da população e combater os equívocos da gestão. A gente tem que ganhar a sociedade e pensar na sociedade, construir uma sociedade melhor, se comprometer, desde as suas relações de vizinhança, de vida, de cuidados com a cidade. Precisamos saber que cidade a gente quer. Qual a expectativa dela. Vem a Copa do Mundo. O que é que fica depois do mundial? Como é que a gente vai ter essa cidade? Como é que a Copa pode induzir um processo de maior circulação?

Tribuna – O Estado deve assumir um protagonismo maior diante desse processo de carência da administração do município?

Zezéu – Temos que respeitar as instâncias dos dois. Temos objetivos comuns. Temos que debater em qualquer instância, tanto governo federal, estadual e municipal, quanto com o empresariado, que venham a construir PPPs com os entes públicos ou iniciativas privadas específicas, bem localizadas, que estejam articuladas com os projetos da cidade.

Tribuna – E 2012? Pelegrino conseguirá construir unanimidade entorno dele, dentro do partido?

Zezéu – Nelson já foi nosso candidato três vezes. Ele tem um reconhecimento no partido, na sua militância, está credenciado a esse processo e agora é só esperar esses dois anos aí para a gente concluir. A gente não pode discutir esse processo a partir do nome. Eu acho que a gente deve fazer uma revisão profunda. Estou me propondo a ajudar nesse processo para a gente pensar Salvador de uma outra forma.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Polícia e a Mídia





Às três horas da manhã encontram-se reunidos na sala do SI de uma Delegacia Territorial que atende a uma área com alto índice de violência doze investigadores de polícia e um delegado, todos protegidos com os seus coletes anti balísticos, pistolas em punho fartamente municiadas, material recentemente adquirido pela Secretaria da Segurança Pública.

Em frente à Unidade, três viaturas novinhas estacionadas, aguardando os guerreiros da tropa que estão prontos para partir para campo, no afã de realizar um bom trabalho, com prisões, apreensão de armas e drogas. Afinal, com isso sonhávamos quando prestamos concurso para a Polícia Civil: a busca da verdade, o desvendar dos mistérios, e elucidação dos mais complicados casos que afetam a tranquilidade da população! Tecnicamente falando, comprovação da materialidade e identificação da autoria dos fatos delituosos.

Em cima da mesa do delegado, além da pizza com guaraná que agrada ao paladar e promove integração e harmonia da equipe, a arma mais poderosa, a INFORMAÇÃO.

A Polícia não pode correr o risco de trabalhar na base do improviso, lançando-se a ermo, atirando no escuro, pronta para ser devorada pelo universo do crime que se encontra aparelhado e muito bem organizado desde um pequeno núcleo, uma singela comunidade na beira da praia , colônia de pescadores, até o um morro estrangeiro, do alemão. Às cegas, tornamo-nos alvos.

Sem informação, é impossível dar o primeiro passo!! Não há o que se fazer a não ser manter nos registros policiais mais uma ocorrência, que vai engrossar a estatística dos fatos noticiados e não elucidados. E com tantos casos sem solução, a credibilidade da Instituição escoa pelo ralo do esgoto.

E o povo, coitado, grita "meu Deeeeeeeeeuuuss"!!! E busca socorro na imprensa de “S.Valera”, registrando o seu BO nos mais populares programas de denúncias, porque ali tem quem faça ecoar o seu problema; porque ali, quando se abre a boca, a terra estremece e a engrenagem do sistema começa a funcionar.

É um tal de liga daqui, chama à responsabilidade os de lá, repita-se os de lá, porque a culpa é sempre dos outros; movem-se os pauzinhos, chama a Polícia, a SUCOM, o Ministério Público, qualquer órgão que seja realmente competente, até que os dali parem de falar, de soltar chispas de críticas que podem incendiar toda uma gestão, com direito a identificação e escracho do Judas. Pronto, tudo resolvido, a paz volta a reinar.

Na faculdade de Direito aprendi que o que não está nos autos não existe, será que não queriam dizer que o que não está na TV, rádio e jornais não existe?

Mas de nada adianta o microfone ou o vozeirão, se a arma poderosa não se fizer presente na imprensa também. A INFORMAÇÃO!! Aí está a zona de intercessão entre a Polícia e a Mídia!

Sim, porque sem essa ferramenta não se escreve o primeiro parágrafo de uma matéria, a não ser que se tenha uma imaginação muito fértil e nenhuma responsabilidade.

Mas, sem responsabilidade não vale. É o mesmo que prender o inocente, e o pior é que a ídia pula todas as etapas do processo e condena no primeiro flash. O sujeito que tem a sua cara estampada na tela nunca mais tem sossego, fica marcado, porque a imprensa estabelece as verdades absolutas, que são reverberadas entre aqueles que nada tinham a dizer, porque pensar dá trabalho, ter opinião é privilégio de poucos e está em extinção, então passam a repetir. E uma mentira repetida mil vezes, como diz o meu pai, vira verdade.

A Polícia e a Mídia andam pegadas. De mãos dadas caminham em direção ao dever para com a sociedade na elucidação dos fatos, no compromisso com a verdade.

Compromisso com a verdade é respeito para com as pessoas, para com a sociedade e principalmente para consigo mesmo, enquanto profissional. Compromisso com a verdade é não se deixar iludir pela fama. É colocar Deus no coração, ter humildade, e vencer a tentação de ostentar poder, por vaidade.

Informação confere poder, muito poder. Por isso a terra estremece quando se chama a Polícia, ou quando se grita ao microfone. Mas sem responsabilidade, nem a Polícia nem a Mídia se sustentam, porque a base, a fundação, aquela estrutura que fica debaixo do chão, com importância muitas vezes esquecida pelas pessoas, chama-se CREDIBILIDADE, sem o que, meus caros, todo o conceito e respeito escoam pelo ralo do esgoto, eu digo mais uma vez.

Acontece que ninguém consegue repetir uma mentira mil vezes, porque as versões mudam a cada instante quando o fato não existiu. Assim, não há mentira que consiga virar verdade. Cada vez que se conta o mesmo conto se altera um ponto.

Então, parabéns aos meus queridos colegas, profissionais de segurança que realizam um trabalho sério e honesto! Parabéns aos meus amigos comunicadores, que têm no compromisso com a verdade o sustentáculo do seu sucesso que certamente se solidificará cada dia mais, até que sejam eternizados na historia da imprensa baiana,

Vamos enaltecer a boa Polícia e a boa Mídia.

E nesse caminho, nada mais resta a dizer senão, muita paz a todos vocês, profissionais de consciência tranquila.

* Patrícia Nuno é delegada de polícia e foi candidata a deputada estadual pelo PMDB.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Salvador recebe nesta sexta Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência

Organizações do movimento social, estudantes e grupos culturais participam da Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência, que hoje dia 10 dezembro com saída às 15h, do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador. A Marcha traz à tona com grande ênfase, o clamor e a denuncia pelo fim de todos os tipos de violência, discriminação e violações dos Direitos humanos.

A Marcha Nordestina é uma iniciativa do Mundo Sem Guerras, organismo internacional que atua ha 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência. Na Bahia é realizada pelo Inconpaz,Coletivo de Entidades Negras, Movimento Salvador Pela Paz, Instituto Mão Amiga,Instituto Luther King, Familia Eclesial da Redenção e Prohomo.

Esse organismo foi o idealizador da 1ª Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência do planeta, que aconteceu do dia 2 de outubro de 2009 a 2 de janeiro de 2010, esse trajeto mundial que iniciou na Nova Zelândia e terminou na Cordilheira dos Andes teve duração de 90 dias, passou por mais de 90 países e 100 cidades nos cinco continentes, cobriu uma distância de 160.000 km por terra. Foi recebida por governantes de todas as esferas e líderes religiosos, e contou com adesões de personalidades do campo acadêmico, político, social, cultural e desportivo.

Com sua passagem no Brasil a Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência mobilizou vários estados, em Salvador aconteceu no dia 17 de dezembro de 2009, e teve o apoio da Prefeitura Municipal de Salvador, do Governo do Estado da Bahia e dos movimentos sociais, onde foram realizadas inúmeras ações como forma de chamar atenção para o alto índice de violência e também para gerar uma nova consciência baseada na paz e não-violência.


PARTICIPE DA MAIOR MOBILIZAÇÃO PELA PAZ DA HISTORIA E LEVE SUA MENSAGEM DE PAZ!

“Para que se escute o clamor de milhões de pessoas que querem a paz, o fim das guerras e de todas as formas de violência”


SERVIÇO:
O quê? Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência
Quando? Hoje às 15h.
Onde? Saída do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador
Concentração? 14h, no Campo Grande.

Maiores informações através do site www.abahiapelapaz.com.br

Paulo Henrique Amorim é novo cidadão baiano

A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou nesta terça-feira (7) o Projeto de Resolução nº 2.018/2009, que concede o título de Cidadão Baiano ao jornalista Paulo Henrique Amorim, nascido no Rio de Janeiro.

De autoria do deputado Zé Neto (PT), o projeto foi aprovado durante sessão ordinária com 28 votos a favor e quatro contra.

A relação do jornalista com a Bahia, de acordo com o parlamentar, vem de berço. PHA é filho do também jornalista Deolindo Amorim, natural de Baixa Grande, no centro norte do estado. O comunicador, que atualmente trabalha na TV Record, apoiou abertamente a reeleição de Dilma Rousseff à Presidência da República nas eleições deste ano. “Paulo Henrique é um dos grandes nomes da comunicação no Brasil, pois realiza um trabalho independente, que preza pelo respeito ao seu público, levando aos lares brasileiros os fatos e acontecimentos que interferem na vida de cada um de nós”, disse Zé Neto, justificando a indicação.

Fonte Bahia Noticias

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vamos com calma...Segurança Pessoal e Direitos Humanos


Estamos todos muito contentes com o fato das comunidades do Cruzeiro e do Alemão estarem (pelo menos provisoriamente) livres do julgo do tráfico? Estamos felizes por ninguém ter morrido na invasão do Alemão? Claro, ou não são também os moradores dessas regiões, cariocas, brasileiros que têm direito de ir e vir? Estou feliz pelo Rio, pelo Brasil, por nós todos, mas principalmente, estou feliz por quem mora na Penha.

No entanto preciso dizer: vamos com calma. A cobertura que grandes veículos de comunicação têm dado às operações policiais é de um triunfalismo perigoso que pode induzir a uma solução simplista (diga-se de passagem, muito mais sóbrias têm sido as declarações do Secretário de Segurança e do Governador do Rio).

A população da Zona Sul carioca (como microcosmo de nossa classe média-alta brasileira) embalada com a cobertura televisiva, em geral, se divide entre a excitação com "o dia D" redentor e a frustração por não ter visto aqueles traficantes em fuga serem alvejados por um atirador num helicóptero. As comunidades livres do traficantes? É possível. Está havendo uma mudança de paradigmas quando se fala em tráfico de drogas, talvez o modelo do jovem de periferia armado vendendo pó esteja mesmo acabando.

O Estado agora não pode sair das favelas reconquistadas, sob pena de repetição do esquema polícia-invade-muita-gente-morre-polícia-sai-o-tráfico-volta-e-toca-o-terror-na-comunidade, mas também não pode se manter lá só com a força policial, ou a mesma pode estabelecer uma relação de dominação semelhante à do tráfico ou das milícias com os moradores.

O Estado precisa se fazer presente por inteiro. As UPPs são um ótimo primeiro passo, embora a polícia não tenha efetivo para se instalar agora nem na Penha nem em outras centenas de favelas cariocas dominadas por poderes paralelos. Na Vila Cruzeiro e no Alemão, o jeito vai ser deixar o Exército tomando conta por sete meses enquanto esses policiais da futura UPP são contratados e treinados. De tudo, o melhor foi ouvir que a prefeitura do Rio tem um plano de urbanização e políticas sociais e culturais para as favelas invadidas.

Torço para que os agentes desse plano já façam companhia às Forças Armadas nesses sete meses, deixando alguns soldados livres para auxiliar no patrulhamento de fronteiras, impedindo que trezentos fuzis entrem no Complexo do Alemão.

Acabar com o tráfico? Aí é mais complexo. A única coisa que pode acabar mesmo com o tráfico é a legalização das drogas. Uma equação simples: enquanto houver consumo ilegal, haverá tráfico. De qualquer forma, a conquista de territórios perdidos e consequentemente das liberdades civis de seus moradores (conquistas que não combinam com abusos da polícia, que segundo alguns, participam de uma caça aos tesouros deixados por traficantes que fugiram pelo esgoto do PAC), é um grande avanço e merece aplausos, faz a gente pensar por que demorou tanto (Copa, Olimpíadas, não importa, antes tarde do que nunca). Me chamou atenção uma entrevista do chefe da polícia civil dizendo algo do tipo: "os bandidos da Rocinha que não se metam com a Zona Sul, senão vai sobrar para eles".

Os ataques dos bandidos à Zona Sul do Rio certamente precipitaram a reação do Governo, mas o domínio de uma parcela da cidade por um poder que não o instituído já não é motivo suficiente para uma ação como a da semana passada?

Enfim, a retomada da Vila Cruzeiro e do Alemão pelo Governo é exemplar e importante especialmente para devolver direitos civis aos moradores das respectivas comunidades e as UPPs são um grande projeto, pois é o Estado finalmente se fazendo presente em bolsões de pobreza historicamente negligenciados por políticos.

Mas vamos com calma. É fundamental que haja uma reforma profunda na polícia; os policiais ganham muito mal (vale pensar sobre a PEC 300), são muito mal treinados, trabalham em péssimas condições e têm na corrupção uma cultura instituída. É urgente fortalecer as corregedorias e combater a corrupção policial! É preciso que as polícias ajam com a inteligência que demonstraram nas invasões; coordenadas. É fundamental que haja um patrulhamento nas fronteiras e rodovias e que se combata o tráfico de armas, que haja reforma do código penal para que o bandido perigoso não saia logo e para que o ladrão de galinha apenas preste serviços comunitários e é importante que se construam presídios de segurança máxima que impeçam um bandido de comandar seus negócios da cadeia.

Tenho certeza que isso vai evitar muito sangue derramado na pura e simples política de confronto. Mas, mais do que tudo: a questão da segurança pública passa necessariamente pela questão social e isso não é esquerdismo naif. As comunidades pobres precisam deixar de ser tratadas como um caso de polícia. Precisam de hospitais, saneamento básico, emprego, esporte, lazer e principalmente educação e cultura. Assim como é melhor não deixar o fuzil entrar do que trocar tiro com ele, é melhor cuidar para que o jovem de periferia tenha alternativas antes que ele se transforme num daqueles cem caras fugindo que a gente viu na tv.

Wagner Moura é ator da Globo

terça-feira, 23 de novembro de 2010

JONAS PAULO DIZ ASNEIRA PARA JUSTIFICAR QUEDA


O site Bahia Noticias de há muito deixou de dar importância ao que diz o lambaz presidente do PT baiano, Paulo Jonas, ou vice versa, assim como não o veem, porque não nota, nos espaços políticos em que o jornalista Samuel Celestino, fala ou escreve. Vale, no entanto, registrar a tolice que disse ao jornal A Tarde, edição desta terça-feira (23). A Bahia caiu do sexto para o sétimo lugar na Federação como estado de economia mais sólida. Perde para o pequeno Santa Catarina e, se não tomar cuidado, perderá, dentro em breve, para o Distrito Federal, que, em oitavo, vem na cola. O cidadão, sem saber como explicar, responsabilizou "os governos anteriores". Ora, dentro de 40 dias o governo anterior será o atual. Fala demais, produz asneiras em série e permanece o que sempre foi: um alvo imenso (em tamanho) à disposição para produzir qualquer bobagem, contanto que apareça na mídia. Ainda está na fase da "herança maldita", usada à larga, sem jamais passar de mera desculpa federal, mera tolice.

Fonte Bahia Noticias

Sociedade civil apresenta recomendações para Programa de Proteção aos Defensores/as de DH


Durante o Seminário Internacional do Programa de Proteção aos Defensores/as de Direitos Humanos, realizado nos dias 17 a 19/11/2010 em Brasília-DF, o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos entregou a “Carta de 2010” ao Ministro Paulo Vannuchi e ao Coordenador Geral do Programa, Ivan Marques. O documento tem sido elaborado anualmente pela sociedade civil e apresenta reflexões e recomendações para o fortalecimento do PPDDH.

Na Carta desse ano, o Comitê menciona alguns avanços significativos do período, como o encaminhamento do projeto de lei que institui o PPDDH ao Congresso Nacional e sua aprovação nas primeiras três comissões legislativas. Outro avanço foi a ampliação da rede do programa para os estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, totalizando agora seis estados atendidos. Sobre os desafios que se apresentam, o Comitê destacou a necessidade de ampliar a estrutura e o orçamento no âmbito da Secretaria de Direitos Humanos, para garantir a proteção dos defensores de direitos humanos enquanto política de Estado (veja a carta).

Um dos destaques do seminário foi a participação de Defensores/as de Direitos Humanos de diversos estados atendidos pelo programa. Os/As defensores/as puderam expor suas realidades em momentos distintos do evento e relataram problemas enfrentados e também a importância de existir um programa como esse. Participaram também do seminário, a Relatora Especial da ONU sobre Defensores/as de Direitos Humanos, Margaret Sekaggya, e as organizações internacionais Front Line, Minga, Protection International e Peace Brigades, presenças que certamente contribuíram muito para o programa no Brasil.

A sociedade civil se reuniu com a assessora da Relatoria da ONU e apresentou suas reflexões sobre o programa e sobre as principais causas estruturais das ameaças sofridas, como por exemplo, a impunidade das violações, a criminalização, a ausência/ineficiência de políticas públicas de acesso a terra e território, etc.

Organizações lançam boletim sobre o Programa
As organizações Terra de Direitos e Justiça Global também lançaram o Boletim Defensoras e Defensores de Direitos Humanos no Brasil, informativo especial elaborado com o objetivo de fomentar o debate sobre a situação dos/as defensores/as após os cinco anos de criação do PPDDH. O documento também traz uma série de avaliações e recomendações para o programa e teve o apoio das organizações CEDENPA (Centro de Defesa dos Direitos do Negro do Pará), do Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra (ES) e da Dignitatis (PB) (veja o boletim).

sábado, 20 de novembro de 2010

Brito diz que crise financeira em Salvador é “problema de gestão”


O vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito, um dos maiores advogados tributaristas do País, posicionou-se nesta sexta-feira, 19, contra o aumento de impostos municipais e afirmou que a crise financeira enfrentada pela prefeitura é fruto de um “problema de gestão”.

Apesar da crítica, da qual se esquivou de responsabilizar individualmente o prefeito ou qualquer secretário, Brito disse esperar reciprocidade do prefeito João Henrique(PMDB) caso venha a disputar a prefeitura em 2012.

“A verdade é que meu nome está colocado, sim, para a sucessão. E, entre todos os nomes colocados, nenhum me supera. Tenho experiência como prefeito e vice-prefeito atuante. E consegui 203 mil votos para senador sem fazer campanha. Não cogito posições políticas de João Henrique. Declaro que, quando houve necessidade, dei apoio a ele”, disse.

“Não sei se terei reciprocidade (apoio de João Henrique), mas desde que afirmei ser candidato a sua sucessão não houve reação negativa (da parte do prefeito). Seria difícil a comunidade absorver uma reação negativa do prefeito, pois vê a colaboração que dou (à administração do prefeito)”, completou o vice-prefeito.

Tarefas - Esta foi a segunda vez em dois dias que Brito se lançou como candidato à sucessão municipal de 2012. A primeira foi em entrevista dada à Tribuna da Bahia, quando visitou o jornal na última quarta-feira. Nesta sexta, Brito visitou A TARDE para parabenizar pelo aniversário de 98 anos do jornal ocorrido em outubro, quando estava em viagem à China.

Acompanhado do filho Antônio Brito, deputado federal eleito pelo PTB, o vice-prefeito ignorou os baixos índices de popularidade de João Henrique e disse que o apoio do prefeito a seu nome seria importante. “Ele (João Henrique) é o líder da cidade. E me ajudou a ser testado em tarefas espinhosas da administração”, falou, referindo-se à atuação que teve na aprovação de uma primeira reforma tributária em 2009 e às administrações do Pelourinho e do Carnaval.

“Não acredito que essas tarefas me foram dadas para que eu servisse de escudo ao prefeito, mas pela confiança que ele tem na minha capacidade gerencial”, garantiu.

Fonte: Jornal Atarde

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

CMDCA É EXCLUíDO DO EVENTO DE LANÇAMENTO DO SIPIA WEB


Salvador, 19 de novembro de 2010.


SEDES

Drª. Arany Santana

REF.: EXCLUSÃO DO CMDCA DO EVENTO SIPIA WEB



O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Salvador, através de seu Presidente Sr. Renildo Barbosa, foi contactado pela Gestora Estadual para implantação do SIPIA CT WEB, Srª. Walquíria Sales e pelo mobilizador Sr Patrício do Espírito Santos, há mais de 30 dias, para que colaborasse na implantação do referido sistema, mobilização dos Conselheiros Tutelares e participação como integrante do Sistema de Garantia de Direitos.

A partir daí e-mail´s foram trocados, houve reunião na SEDES, mobilização e divulgação das fichas para Conselhos Tutelares, divulgação do lançamento previsto para 19 de novembro de 2010.

O local do evento, inclusive, foi sugerido pelo representante do CMDCA Salvador, por possibilitar que fosse transmitido por vídeo conferência para todo o Estado da Bahia, através da Rede Educação do Instituto Anísio Teixeira/IAT/SEC, com maior alcance e com resultados futuros relevantes para nossas Crianças e Adolescentes.

Recebemos convite da Secretária da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate a Pobreza, Drª. Arany Santana, com a programação constando mesa de abertura com representação do CMDCA/SSA, Sr. Renildo Barbosa, conforme divulgação na mídia e impresso no folder distribuído na pasta do evento.

Adiantamos, pela importância do evento, a finalização do Debate Público sobre Enfrentamento à Letalidade de Crianças e Adolescentes por causas externas Violentas, cuja mesa chegou a acolher 14 (catorze) representações e mais de 120 participantes na platéia, para prestigiarmos o lançamento do Sipia CT Web e, principalmente, a integração entre o Sistema de Garantia de Direitos de Crianças e Adolescentes.

Fomos ao local do evento, cumprimentamos e fomos cumprimentados por todos (as) presentes, inclusive pela Secretária Srª. Arany Santana, que pediu aos assessores que acrescentassem cadeiras à mesa, para acolher todos os convidados.

Qual não foi nossa surpresa ao sermos informados em voz baixa pelo Sr. Normando Batista, secretário executivo do Conselho Estadual os Direitos da Criança e do Adolescente, que “decidiram reduzir a mesa e que por isto não chamariam todas as representações previstas”. Não houve nenhuma explicação lógica, uma vez que na mesa constavam cadeiras suficientes para todos previamente convidados. A representação do Ministério Público que havia registrado que não poderia participar anteriormente, mas que conseguiu chegar a tempo, foi acolhida na mesa. Todos (as) que estavam previstos (as) no folder estavam na mesa, com exceção do Presidente do CMDCA de Salvador, Sr. Renildo Barbosa.

Em virtude da descortesia, as representações do CMDCA Salvador retiraram-se do recinto, sem deixar de socializar o Pacto de Enfrentamento à Letalidade Infanto-juvenil por causas externas violentas, assinado pela manhã em debate público, pois a nossa Missão coloca sempre Crianças e Adolescentes como prioridade absoluta, sem deixar que vaidades turvem a nossa visão.

Ouvi da atual Secretária Srª. Arany Santana, quando coordenou a Conferência de Segurança Alimentar, “que preconceito e discriminação sentimos pelo cheiro ou no olhar de quem discrimina”, para que as pessoas respeitassem todos (as) que ali estavam, especialmente empobrecidos quilombolas e indígenas. Naquele momento percebemos, portanto, a discriminação naquele que deveria acolher e dar exemplo, uma vez que ocupa posições há anos. O que será que motivou a exclusão do Presidente do CMDCA da mesa? Ser o CMDCA do Município de Salvador? A orientação sexual (Gay)? A competência do CMDCA em propor e atuar na defesa de Crianças e Adolescentes?

Da militante Arany Santana aprendemos muito, não só no Curuzu, mas também como a primeira Secretária da Reparação de Salvador, quando ocupou o cargo. Do ex-Secretário e deputado Estadual Sr. Valmir Assunção, temos muito a elogiar, pela coragem e enfrentamentos na gestão da SEDES até 2009, sendo este do Movimento dos Sem Terra.

Entretanto, repudiamos a atitude equivocada de integrantes ou representantes da SEDES, que fomentam a discórdia e tentam fragilizar as ações integradas entre o Estado da Bahia e o Município do Salvador.

O CMDCA Salvador continuará apoiando a implantação do SIPIA CT WEB, por entender que a implantação e utilização deste sistema contribuem para a redução das vulnerabilidades sociais a que estão expostas Crianças e Adolescentes de todo o Estado.

Não nos intimidará nenhuma atitude mesquinha e que promova o enfraquecimento do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente.

Estamos socializando esta carta com Conselheiros (as) de Direitos, Tutelares e integrantes do Sistema de Garantia de Direitos, testemunhas e parceiros (as) na defesa de Crianças e Adolescentes.

Atenciosamente,

Renildo Barbosa

Presidente

Fantastica resposta aos sulistas


A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

(...)

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…dentre tantos outros...

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melodias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…

Ah! Nordestinos…

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: – "Calem a boca, nordestinos!"

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

Por José Barbosa Junior

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Bahia tem sete mil assassinatos sem solução


A Bahia tem sete mil homicídios que estão há mais de três anos sem solução, e é o quarto Estado, entre os 20 pesquisados, no número de inquéritos policiais abertos até dezembro de 2007 e até hoje não concluídos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 17 pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e é o resultado preliminar de uma pesquisa nacional sobre a investigação de homicídios. É a partir da conclusão do inquérito policial, que deve identificar o autor do crime, que o Ministério Público pode denunciar o caso à Justiça para que haja a punição.

Os inquéritos encontrados em aberto pelo levantamento deverão ser finalizados até julho de 2011, segundo a meta fixada pela Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), formada por uma parceria entre o CNMP, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Ministério da Justiça. A Enasp pretende fazer um diagnóstico nacional sobre a investigação de homicídios, revelar as dificuldades e propor políticas públicas públicas para o setor.

Salvador - Na capital, o número de inquéritos sem conclusão, instaurados até 2007, supera o de homicídios registrados entre 2007 e 2009. A capital concentra 68% dos homicídios sem solução do Estado, com 4.823 inquéritos. Nas cidades do interior, o Ministério Público (MP-BA) encontrou, até o momento, outras 2.202 investigações sem conclusão, o que totaliza 7.035 no Estado.

De acordo com o gestor estadual do Grupo de Persecução Penal da Enasp, o promotor de Justiça Antônio Luciano Assis, a situação da Bahia é preocupante. “Nós já conseguimos reunir uma grande quantidade de informações. Mas os números parciais de inquéritos abertos no nosso Estado são totalmente negativos, e ainda podem ser piores no final do levantamento”, informa Assis.

Alguns estados já começaram a enfrentar o problema. Em Rondônia, onde há 1.991 inquéritos em aberto, este mês foi dado início a um mutirão, resultado de parceria entre o Ministério Público e a Polícia Civil. Em Alagoas, que contabiliza 3.628 investigações pendentes, o Ministério da Justiça designou policiais civis da Força Nacional de Segurança Pública para apoiar o trabalho de análise dos inquéritos antigos.

Fonte: Jornal Atarde

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Brasileiro é assassinado em Portugal por urinar na rua


Um brasileiro foi morto com uma facada em uma cidade ao norte de Lisboa (Portugal).

Segundo a sua companheira, a vítima morreu porque urinou na rua. Luciano Correia da Silva, 28 anos, natural de Rondônia, foi assassinado na madrugada do último domingo na cidade de Caldas da Rainha, distante cerca de 100 km da capital portuguesa.

A companheira de Luciano, a também brasileira Andressa Valéria, 26 anos, disse ao jornal Correio da Manhã que os dois haviam saído de um bar à noite e se dirigiam para a casa onde moravam, quando o brasileiro parou na rua para urinar.

Andressa afirma que uma pessoa com sotaque português e aparentemente embriagada começou a gritar com Luciano. Segundo ela, o agressor dizia: "brasileiro de m....., volta para a tua terra, vagabundo". O homem teria puxado um canivete assim que Luciano fechou o zíper da calça. Neste momento, Andressa diz ter ido a um café ao lado para pedir ajuda.

Quando voltou, ela viu Luciano no chão, atingido por um golpe profundo no peito. O agressor fugiu, levando consigo o canivete. Luciano foi levado ao hospital, mas não resistiu ao ferimento. A Polícia Judiciária (PJ) não deu informações sobre o crime, alegando que ele ainda está sob investigação.

A assessoria de imprensa da PJ disse que a resolução destes casos costuma ser rápida, mas não quis prever quanto tempo isto pode levar. O órgão afirma que as ofensas xenófobas podem ser consideradas um agravante, o que vai depender do julgamento.

Segundo Andressa, Luciano era serralheiro e vivia em Portugal havia quatro anos, tendo a sua situação de imigrante legalizada. O casal viveu junto por dois anos, junto com uma filha de Andressa, de um ano e nove meses.

Fonte: BBC

domingo, 14 de novembro de 2010

Adolescentes suspeitos de agressão serão encaminhados à vara da infância e juventude


Os adolescentes suspeitos de terem agredido quatro rapazes na avenida Paulista, em São Paulo, na madrugada e início da manhã deste domingo, serão encaminhados à vara da Infância e Juventude. De acordo com o delegado José Matallo Neto, após ouvidos os adolescentes serão encaminhados para a vara da infância e o outro jovem, maior de idade, será encaminhado para um CDP (Centro de Detenção Provisória), mas não revelou qual.

Foram quatro as acusações de agressão. A primeira dela, contra um jovem de 18 anos, que sai do trabalho, por volta das 3h da madrugada. De acordo com o depoimento do jovem que foi agredido, ele chegou a perder a consciência devido às pancadas que recebeu e, quando acordou, seu celular, carteira e uma blusa que vestia, haviam sumido. Ele reconheceu os agressores quando foi registrar queixa, na delegacia e os jovens estavam detidos lá.

Por volta das 6h30 ocorreram as outras agressões, ainda na Avenida Paulista. Desta vez contra dois rapazes, um dos quais assumiu ser homossexual. Segundo os jovens, enquanto eram agredidos, ouviram os adolescente gritarem coisas como "suas bichas" e "vocês são namorados".

Em sequência os jovens teriam agredido ainda outro rapaz que saia de uma lanchonete com alguns amigos. Foi quando a polícia chegou ao local e apreendeu os cinco jovens. Com isso, segundo o delegado, eles serão indiciados por agressão e formação de quadrilha.

Na delegacia, os pais dos adolescentes estavam inconformados. A mãe de um deles disse que os meninos sempre saem para baladas no fim de semana e é a primeira vez que se metem em confusão. " Os meninos saíram para se divertir, para pegar as menininhas na balada, até porque eles ficam de segunda a sexta estudando. Eles sempre saem no final de semana e isso nunca aconteceu".

De acordo com o Orlando Machado Junior, advogado de um dos menores, os jovens tinham ido a uma festa na avenida. Ibirapuera, e quando saíram da festa, foram de ônibus até a Avenida Paulista. Na volta para casa foram abordados por uma das vítimas. "Houve um flerte por parte de uma das vítimas, começou uma discussão verbal que desencadeou a briga. Segundo o advogado, seu cliente também foi agredido.

O pai de um dos menores disse que, após toda esta confusão, o seu filho não vai mais sair para baladas pelo menos até completar 18 anos.

Fonte: Folha.com

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Salvem Salvador!


Cada vez que volto a Salvador, renovo meu axé, a força sagrada da vida. Reencontrar amigos e conhecidos, rever a beleza da Baía de Todos os Santos e mergulhar nas águas do Porto da Barra me dão ânimo para continuar seguindo, lutando, enfim, vivendo, pois viver é lutar. Entretanto, em minhas últimas visitas à capital da Bahia que me deu régua e compasso, além do axé renovado, eu trago, comigo, um tanto de tristeza em relação à feiura que vem cobrindo a cidade - feiura que se expressa no abandono do Centro Histórico de Salvador, nas praias sujas e tomadas por um mercado informal desorganizado, quase violento e, principalmente, num trânsito caótico.

Como dizia o outro, não sou de reclamar, mas, se estamos nesse cano, eu não posso me calar! Em relação ao Pelourinho e ao Centro Histórico, eu já havia escrito um artigo em que alertava para o fato de que o espaço estava voltando a ser aquele velho mangue que fora um dia. Ora, se, por um lado, o mangue traz, de volta, uma fauna que dá um colorido mais, digamos, intenso ao Centro Histórico, por outro, essa mesma fauna, quando entregue à própria sorte e, principalmente, quando não administrada pelo poder público, acaba por afastar o restante da população local e os turistas daquele que é um patrimônio da humanidade.

É impossível que o prefeito de Salvador e seu secretariado desconheçam os inúmeros relatos de roubos e furtos nas ruas do Centro Histórico; de extorsões por parte dos “flanelinhas”, que, quando não recebem o que acham que merecem, depredam os carros dos visitantes; e do assédio agressivo de vendedores ambulantes e pedintes aos que vão ao Pelourinho apenas visitar e fotografar seu casario e igrejas. É difícil para o poder público entender que a autoestima de um povo está ligada também à preservação de seu patrimônio histórico-cultural? Será difícil conciliar políticas sociais com políticas culturais? Será difícil preservar o Pelourinho como uma atração turística - o que inclui dar segurança e conforto aos turistas e visitantes locais - que trará divisas para a cidade?

E por falar em conforto para os turistas e população local, o que está acontecendo com a praia do Porto da Barra é lamentável. A certa hora, as areias mais parecem um lixão do que um lugar onde se vai relaxar sob o sol. É certo que a maioria dos frequentadores é mal-educada e insensível, incapaz de recolher seu próprio lixo ao sair ou, ao menos, impedir que as ondas o arrastem para o mar.

É certo também que os comerciantes informais que vivem da venda de comidas e bebidas ou do aluguel de cadeiras e sombreiros em nada colaboram para a limpeza e organização do lugar que lhes dá o “pão de cada dia”, muito pelo contrário: constrangem os banhistas com seus gritos e brigas entre si. Porém, por que o poder público não disciplina o comércio local, limitando o número de cadeiras que possa ser alugadas e fiscalizando a qualidade dos produtos oferecidos? Por que não há, em curso, uma campanha de educação ambiental que envolva banhistas e comerciantes e que dure o Verão inteiro?

Por fim, temos agora um trânsito caótico na cidade. Enquanto rolaram, por quase duas décadas, as tenebrosas transações que levaram à construção de um metrô que liga o nada ao lugar nenhum e que, portanto, não beneficia a população carente que mais precisa de transporte de massa rápido, enquanto rolaram essas tenebrosas transações (que, pasmem, ainda não levaram a uma CPI que as investigue), as frotas de ônibus e carros aumentaram significativamente sem que uma reengenharia de trânsito eficaz fosse feita, o que acabou levando aos frequentes engarrafamentos e congestionamentos.

Quando o metrô era só uma promessa, o argumento era que ele desafogaria o trânsito, porque levaria à redução das frotas de ônibus e de carro. Ao fim e ao cabo, o que nós temos é uma serpente de concreto de quatro quilômetros a sujar a paisagem da cidade. Se o poder público vem se mostrando incompetente na gestão da cidade, o que resta aos soteropolitanos? Talvez pedir a todos os santos da Baía que salvem Salvador!

Por; Jean Wyllys,Jornalista, Escritor e Vencedor do BBB5

Mortes violentas crescem no Nordeste e caem no Sul, aponta IBGE


A proporção de mortes violentas no Brasil apresenta uma tendência de queda nas regiões Sul e Sudeste, mas aumenta no Norte e no Nordeste, segundo a pesquisa Estatísticas do Registro Civil de 2009, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (12). Nos últimos 15 anos, a porcentagem desse tipo de óbito em relação ao total geral pulou de 16,57% no Norte e 12,53% no Nordeste, para 17,94% e 15,07% respectivamente.

No mesmo período, o Sudeste também teve um aumento, mas depois apresentou recuo. Em 1994, 15,31% das mortes na região foram violentas. O número chegou a 17,11% em 1999, mas passou a recuar, atingindo 16,63% em 2004 e, em 2009, 14,26%

“Óbitos violentos”, para o IBGE, são homicídios, suicídios e aqueles causados por acidentes de trânsito.

As estatísticas da pesquisa são publicadas desde 1974. O levantamento acompanha a evolução populacional no Brasil, e proporciona estudos demográficos e subsídios para implementação de políticas públicas.

De acordo com o IBGE, as informações foram prestadas pelos cartórios de Registro Civil, Varas de Família, Foros ou Varas Cíveis e os Tabelionatos de Notas do País.

Para o gerente da pesquisa, Adalton Bastos, uma estatística mostra bem os movimentos diferenciados. “Cinco anos atrás, o Sul e o Nordeste tinham mais ou menos a mesma taxa de mortes violentas [13,83% e 13,54%, respectivamente]. Mas, de lá para cá, o número caiu no Sul e subiu no Nordeste [para 13,73% e 15,07%]”, explicou ele ao G1.

Ainda assim, ele afirma que as reduções no Sul e no Sudeste não podem ser muito comemoradas. “É uma tendência de queda, mas ainda assim é um número muito alto de óbitos violentos”, afirma. Para ele, a tendência de queda no Sul e Sudeste é mais expressiva que o aumento no Norte e Nordeste. “É um aumento que existe, mas é pequeno”, disse.

Bastos comemorou também a redução nos “subregistros” tanto de óbitos quanto de nascimentos no Brasil. “A falta de notificação ainda é comum, principalmente nas cidades mais afastadas”, afirmou. Os subregistros de óbitos caíram de 17,8% em 1999 para 9,5%, em 2009, no país. Os de nascimentos, de 20,7% em para 8,2%.

A maior parte dos subregistros, segundo ele, ocorre nas mortes de crianças com menos de 1 ano – 43% do total em 2009. Para Bastos, existe uma “cultura de não registrar esse tipo de óbito”, principalmente nas cidades menores. “Existe aquela crença de que a criança pequena é um anjo, sem pecado, e quando elas morrem acaba não ocorrendo o registro do óbito”, afirma.

Fonte G1

domingo, 7 de novembro de 2010

Repasse de verbas dificulta expansão do 'Minha Casa'


As companhias de saneamento e as construtoras estão se articulando para apresentar uma proposta na próxima reunião do Conselho Curador do Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço (FGTS), em 9 de novembro, e tentar garantir facilidade de acesso a recursos para as redes de saneamento dos projetos do Minha Casa, Minha Vida.

A ideia é que a aprovação de projetos e liberação de recursos seja simplificada e facilite o atendimento da nova demanda. A reclamação da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais (Aesbe) concentra-se no excesso de burocracia, o que tem causado um descompasso entre o ritmo de expansão do Minha Casa, Minha Vida e o crescimento dos serviços de saneamento básico.

E foi justamente nas periferias das grandes cidades, alvo das construtoras por ainda oferecerem terrenos com custos mais baixos, que o problema se concentrou. As companhias de saneamento dos Estados e municípios não tinham previsão orçamentária para expandir as redes para atender a essas áreas que criaram uma demanda recente. O descompasso entre oferta e demanda por rede de saneamento criou problemas em todo o País, segundo o superintendente da Aesbe, Walder Suriani.

Segundo Maria Henriqueta Arantes Ferreira Alves, consultora técnica da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), na próxima reunião do Conselho Curador do FGTS será entregue uma proposta para que o Ministério das Cidades - pasta que coordena o Minha Casa - tenha um mecanismo mais simplificado para a liberação de dinheiro do fundo para projetos do programa habitacional. “Hoje há muita burocracia. Até liberar os recursos o empreendimento está pronto”, critica.

“A burocracia do Ministério das Cidades é de tal ordem que estabelece prazos incompatíveis com a realidade dos empreendimentos do Minha Casa na liberação de recursos”, reclama Suriani. Segundo ele, a Aesbe tem falado do problema desde o início do Minha Casa, mas até agora não conseguiu sensibilizar o ministério para que mude as regras.

A secretária Nacional de Habitação, Inês Magalhães, explica que não falta recurso para os projetos de saneamento, especialmente os que fazem parte do Minha Casa. “Me parece mais uma falta de coordenação entre o plano de expansão das companhias de abastecimento e a escolha das construtoras de áreas para levantar as obras. São os municípios que aprovam os projetos. E eles só devem fazer isso se há como atender o empreendimento com água e esgoto, seja com projetos das companhias de saneamento ou com recursos das próprias construtoras”, explica.

Segundo Inês, foram apresentados ao ministério os projetos de saneamento interessados em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. E um dos critérios do ministério foi dar prioridade aos que faziam parte do Minha Casa. São, ao todo, R$ 40 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agência Estado

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dilema de João envolve Wagner e ACM Neto



Depois de uma reeleição na qual muitos poucos acreditavam, o prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB) começa agora a encarar o drama da sua sucessão, embora ainda faltem dois anos e quase dois meses para o final do seu mandato. Célebre por ter feito sua carreira política, como vereador e deputado, sempre na base da geração de fatos em defesa dos consumidores, João Henrique nunca teve reais compromissos políticos ou ideológicos com nenhuma corrente de pensamento ou com lideranças maiores. Como prefeito seguiu na mesma toada, o que terminou deixando-o isolado no Palácio Thomé de Souza e chegou ao último ano do seu primeiro mandato com avaliação pública e popularidade no rés do chão. Deixou o PDT sem nenhuma hesitação, em 2006, quando o então ministro Geddel Vieira Lima dispôs-se a lhe lançar o bote salva-vidas do PMDB, oferecendo o apoio do Ministério da Integração Nacional e apostando seu prestígio na campanha da reeleição, mesmo à custa de produzir a primeira grande fissura na sua relação com o até então aliado governador Jaques Wagner e com o PT.

Reeleito, o prefeito fez juras de gratidão,amor e fidelidade a Geddel, mas tratou de recompor-se com o governador Jaques Wagner, no que agiu certo uma vez que as grandes dificuldades para administrar uma cidade como Salvador se tornam gigantescas quando se entra em choque com o governo estadual. Porém, a vida segue e, ao aproximar-se a eleição estadual, houve o rompimento definitivo entre o PMDB e o PT, o que colocou o prefeito na berlinda e em rota de afastamento com o ex-ministro, movimento que foi auxiliado pela primeira dama do município, deputada estadual Maria Luíza sempre incomodada pelas restrições que seu desejo de mandar na máquina administrativa sofria com a presença peemedebista em áreas importantes da Prefeitura.

João Henrique tentou manter as aparências na campanha do primeiro turno, mas caiu fora de vez dos braços de Geddel Vieira Lima e, enquanto sua mulher fortalecia os laços políticos com ACM Neto (DEM), pongou no barco do governador em favor de Dilma Rousseff. Vitoriosa a candidatura petista, o prefeito de Salvador está tomado de fervor quase religioso pró Wagner e Dilma. Sonha em prosseguir com uma reforma administrativa, reabrindo espaços para o PT ou figuras ligadas a petistas – como já fez no caso da Secretaria de Saúde – na tentativa de alargar os dutos de dinheiro e projetos da área federal para a capital baiana e poder, assim, melhorar a imagem da sua administração e chegar ao fim do seu segundo mandato em situação mais favorável do que a registrada no início de 2006.

Só que é aí, como se diz lá em Coaraci, que a “porca torce o rabo”. Porque o prefeito volta a ficar numa berlinda das maiores, uma vez que o PT vai lançar candidato à Prefeitura de Salvador – o senador eleito Walter Pinheiro, com a ambição de sempre, continua de olho no Thomé de Souza, embora jure que não, e o deputado Nelson Pellegrino sonha em disputar novamente – e o DEM não pode abrir mão de disputar o cargo, sob pena de perder de vez sua importância política no Estado.

Para complicar ainda mais a situação de João, o nome que sonha com a vaga de prefeito é o deputado federal ACM Neto, principal aliado da deputada estadual Maria Luíza, que tem muito a agradecer ao democrata pela reeleição. Neto quer refazer o caminho trilhado pelo avô ACM e deverá cobrar o apoio da família Carneiro, o que será muito difícil de negar, a menos que a própria Maria Luíza imponha sua candidatura à sucessão do marido (também se fala nesta hipótese).

Por questões políticas, ideológicas ou filosóficas, o prefeito não terá nenhum problema em dar apoio a qualquer um dos lados. O seu problema, a meu ver, vai ser quando tomará a decisão, uma vez que não poderá ser muito cedo – para evitar o fechamento das torneiras federais ou o acirramento dos ânimos dos democratas contra ele – nem muito tarde.

De uma coisa eu sei, e muita gente também: a experiência mostra que não dá para acreditar nas juras vindas do Palácio Thomé de Souza.

Por Paixão Barbosa

Lula: Novo governo terá a cara de Dilma e eu estarei na torcida batendo palma


Durante entrevista na manhã desta quarta-feira (3) no Palácio do Planalto, ao lado da presidente eleita Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o próximo governo tem que ter "a cara da Dilma" e negou que vá ter qualquer influência a partir de 2011. "Eu já disse isso pra vocês: rei morto, rei posto", disse Lula na manhã desta quarta (3).

"Pela minha experiência de vida e de montagem de governo, o governo da Dilma tem que ser a cara e a semelhança da Dilma. É ela, e somente ela, que pode dizer quem ela quer e quem ela não quer. Somente ela é que pode dizer aos partidos aliados se concorda ou não com as pessoas", afirmou o presidente.

Lula ainda disse que irá dar uma lição de como se comporta um ex-presidente: só vai aconselhar sua sucessora para ajudar, e não para atrapalhar. "Ex-presidente da República não indica nem veta, e só dá conselho se for pedido".

Ele disse que não irá interferir na montagem do novo governo. "Nem o Mano Menezes quando foi para a seleção pediu para o novo técnico do Corinthians manter o time dele. A continuidade é na política, e não nas pessoas."

O presidente também lembrou do futebol para explicar a Dilma como se comportará a partir de 2011. "Monta o seu time, que eu estarei de camisa unifromizada, sem corneta, batendo palma e nunca vaiando."

Ele aproveitou também para fazer um chamado à oposição, para que atue de forma responsável durante a gestão da nova presidente. “Queria pedir a oposição que, a partir do dia 1º de janeiro, que eles olhassem um pouco mais para o Brasil. Tem que saber diferenciar o que é o interesse nacional e o que é briga política partidária""

Lula agradeceu o resultado da votação e o "comportamento altamente democrático do povo brasileiro". O presidente ainda disse que ainda não sabe como será a montagem do novo governo. "Eu fui eleito em 2002 e tenho a exata sensação da montagem de um governo. Você levanta de manhã e vê a foto de uma pessoa no jornal que você não tinha nem imaginado", disse.

O presidente afirmou ainda que não tomará medidas impopulares nos últimos dois meses de governo, e que fará o necessário para que Dilma Rousseff assuma o próximo governo sem nenhuma dificuldade.

A presidente eleita seguirá em viagem com Lula, para a reunião do G-20, em Seul, na Coreia do Sul.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ESTÁ PRÓXIMA A POSSE DO CONSELHO MUNICIPAL DE SALVADOR



De acordo com a portaria no 055/2010 da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente ( Sedham ), publicada no Diario Oficial de 06 de outubro, em novembro acontecerá a posse do Conselho Municipal de Salvador. Eleito, em sua primeira composição na 3a. Conferência Municipal da Cidades, em 2007 a posse não aconteceu. No final de 2009 novamente houve a eleição durante a 4ª. Conferência Municipal, com compromisso de que até o dia 18/12/2009 ele seria empossado. Antes tarde, do que nunca.

A composição do Conselho está assim constituída:

Poder Publico Federal, Estadual e Municipal, Movimentos Sociais, Entidades Empresariais, Entidades Sindicais, Entidades Academicas e Ongs.

O Movimento Salvador Pela Paz é uma das conselheiras eleitas, dentro do segmento das ONG’s e seus conselheiros representantes serão: Jupiraci Borges (Titular) e Walter Sena (Suplente).

A posse do Conselho Municipal das Cidade coloca, mesmo tardiamente, Salvador dentro do Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano que está sendo construído no Brasil inteiro e que foi iniciado a partir de 2004, quando da posse do Conselho Nacional das Cidades. O Estado da Bahia empossou seu Conselho Estadual em 2008.

As políticas setoriais afins ao Conselho são : Habitação, Mobilidade Urbana, Saneamento Ambiental e Planejamento Territorial Urbano e que terá, além do caráter deliberativo sobre formulação e projetos municipais destas políticas, o conselho terá papel deliberativo de gestor do FUNDURB – Fundo de Desenvolvimento Urbano.

A participação na conferência e na disputa da eleição do SALVADOR PELA PAZ como integrante deste Conselho, foi requisitada pelos movimentos e entidades da área , tendo em vista que o olhar abrangente sobre o desenvolvimento urbano implica, em última análise, no aumento da qualidade de vida dos cidadãos e cidadãs soteropolitanos, na aplicação das políticas setoriais afins, como direito e garantia de justiça social, primeiro passo para que a PAZ verdadeira possa estar garantida em nossa cidade.

¨A nossa experiência, neste curto tempo de existência, e a nossa presença nos espaços populares da cidade, presença verdadeira na base, irá contribuir sobremaneira para que o Conselho Municipal de Salvador, tenha uma visão mais abrangente da temática do desenvolvimento urbano.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Simulado e Protesto Cultural da UNEafro reúne mais de 800 na USP

Mais de 600 estudantes realizaram, neste último sábado, dia 23/10, o Simulado de Redação do ENEM, organizado pela UNEafro Brasil, que atendeu os estudantes dos cursinhos comunitários vinculados ao movimento. O local escolhido foi simbólico: Universidade de São Paulo. O berço das elites racistas de São Paulo foi literalmente ocupado por estudantes de periferias de 18 cidades do estado. Com o apoio do Núcleo de Consciência Negra na USP e do grupo estudantil Sujeito Coletivo, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) foi o palco dessa histórica atividade.


Palestra sobre técnica de redação e simulado


Caroline Andrade, professora do Cursinho da Poli, e Jorge Américo, jornalista da Rádio Agência Notícias do Planalto, foram os palestrantes em atividades que deixaram repletos os Auditórios da Geografia e da Escola de Aplicação. Em sua palestra, Jorge lembrou Neruda: “Escrever é fácil, você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio, você coloca as idéias.”. Após as palestras, os estudantes ocuparam as salas de aula do Prédio da Geografia, onde realizaram a prova que simulou a redação do ENEM.


Protesto Cultural


Após o simulado, um grande picadeiro foi armado no vão da entrada da FFLCH, onde a "estudantada" desfrutou de um grande almoço comunitário. A esta altura o couro já estava comendo com as Comunidades Samba da Toca, Samba da Tenda, Samba Bom Ambiente e Samba dos Correios.



O pagode foi intercalado com intervenções políticas dando conta da história de exclusão que negros/as e pobres sofrem na USP. O grupo de Dança Afro do Ponto de Cultura da UNEafro esquentou um pouco mais aquela tarde, que pegou fogo de vez quando uma grande roda se formou em torno da dança de Jongo, energeticamente batucado pelos artistas do samba.



Estudantes da USP e solidários se juntaram à atividade, que reuniu mais de 800 pessoas durante toda a tarde. “Daqui por diante, a UNEafro ocupará permanentemente a USP com esse tipo de atividade. Até que seja nossa de verdade”, disse a Carol Fonseca, que fez parte da organização do ato.


Veja as fotos da atividade: http://www.uneafrobrasil.org/galeria/galeria_enc20101023.html

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ESTADO TEM PROJETO PARA MONITORAR A MÍDIA


Mesmo após a repercussão negativa da proposta levantada no Ceará, da criação de um órgão estadual de regulação da imprensa, o Governo do Estado baiano se prepara para, aqui, fazer o mesmo: instalar um conselho de comunicação com o propósito de monitorar a mídia. De acordo com matéria publicada na Folha de S. Paulo desta segunda-feira (25), o conselho seria vinculado à Secretaria de Comunicação Social do Estado. A minuta do regulamento do conselho foi feita por um grupo de trabalho constituído em novembro do ano passado pelo governador Jaques Wagner (PT). Em entrevista ao jornal, o secretário de Comunicação, Robinson Almeida, negou que haja intenção do governo do Estado de cercear a imprensa. Ele disse que o projeto está em análise na Casa Civil e não será divulgado antes de passar pelo crivo jurídico. Além da Bahia e Ceará, Alagoas e Piauí também possuem proposta similar. O diretor-geral da Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), Luís Roberto Antonik, chama a atenção para o fato de que Estados não têm competência para regular a atuação da mídia.

Fonte: Bahia Noticias

domingo, 24 de outubro de 2010

Criminosos ameaçam líderes comunitários de áreas carentes


Durante dez anos, Marcelo* dedicou pelo menos cinco horas por dia em atividades para os moradores do Subúrbio Ferroviário. Mas sua trajetória como líder comunitário foi interrompida por traficantes, que assassinaram a pauladas sua cadela, uma rottweiler chamada Princesa. Com a vizinhança, deixaram o recado: o mesmo que fizeram com a cachorra fariam com ele. Para o líder comunitário de 32 anos não restou alternativa diante da ameaça. No dia seguinte em que o animal foi morto, deixou o bairro onde morou por 18 anos e abandonou as atividades que desenvolvia. Hoje, convive com o medo, morando com amigos em outro local. “Eu saí de lá por causa da marginalidade. Não ia esperar fazerem comigo o que fizeram com minha cachorra. Mataram ela de forma muito cruel”, conta. Já são oito meses longe da comunidade onde dava aulas de alfabetização para jovens e adultos. “Essas atividades comunitárias ajudam a gerar uma ocupação, principalmente para os jovens, em vez de ficarem nas ruas com pessoas erradas”, esclarece. A expulsão do bairro se deu após um desentendimento com a mãe de um traficante. “Nós estávamos entregando os documentos de moradores que participaram de uma atividade na associação. Ela queria que eu agilizasse a entrega do comprovante dela, que não estava pronto. Quando eu disse, ela não gostou”, diz. Segundo um amigo de Marcelo, que também trabalhou na associação, a moradora ainda insultou o líder comunitário pelo fato dele ser homossexual. “Ela achou que por ser mãe de traficante teria prioridade. Disse que ele iria se arrepender”, relata o amigo, que também já sofreu ameaças de traficantes. Depois de matar a cadela, traficantes invadiram a associação em busca de Marcelo. “Aqui, a situação é difícil. Falta segurança. Até a imprensa só pode entrar com a polícia. Os traficantes chamam os jornalistas de conspiradores”, destaca o morador.


RISCOS

Apesar do trabalho que desenvolvem em prol da comunidade, pode resultar até mesmo em assassinatos. Dia 13 deste mês, o presidente da Associação Comunitária Esportiva e Protetora do Manguezal São Bartolomeu, Cosme do Amor Divino Santiago de Jesus, 39 anos, foi encontrado morto, com vários tiros na cabeça, no porta-malas do carro comprado há menos de três meses, em uma rua de barro que liga Pirajá à BR-324. Cosme foi surpreendido por quatro homens armados quando estacionava o veículo próximo à rua em que morava para falar com vizinhos. Segundo testemunhas, houve um disparo e ele foi obrigado a entrar no carro junto com os homens armados. Ao mesmo tempo em que era abordado, outros dois homens já estavam na casa de Cosme e renderam a esposa e o filho de 7 anos, mas nenhum dos dois ficou ferido. O líder comunitário morava e atuava na localidade conhecida como Boiadeiro, que fica próximo ao Parque de São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário, e reclamava com frequência do tráfico de drogas na região. Segundo parentes, ele não admitia que os traficantes vendessem drogas perto das crianças que participavam do projeto. “Ele construiu a sede da associação do lado de uma boca de fumo e reclamava dos caras que vendiam drogas perto das crianças”, contou um dos parentes da vítima. Persistência Na Ilha de Itaparica, o líder comunitário Agenor*, que há 25 anos desenvolve atividades na região, diz que as ameaças são feitas até mesmo quando ele tenta buscar soluções para problemas rotineiros do bairro. “Quando faço pedidos para a prefeitura, eles (os traficantes) me ameaçam de morte. Somos reféns dos traficantes. Eles não deixam que façamos nada em prol da comunidade”, denuncia. Já em Mussurunga, onde em 2008 traficantes mataram sete pessoas, as ameaças nem sempre partem do tráfico. Segundo o líder comunitário Gilson Lopes, 40 anos, ser líder é brigar pelo bairro. “É trabalhar para levar para aquelas pessoas tudo aquilo que os políticos prometem na hora do voto e não cumprem depois”. Mas ele admite que buscar melhorias incomoda. “É óbvio que isso desagrada a algumas pessoas. Mas, aqui, pelo menos, a maioria dos traficantes é até parceiro. Já recebi ameaça sim, mas de PM”. As informações são do A Tarde.

Fonte: Bahia Reporter

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Comunicado de Afastamento da Presidência Nacional do PSOL


1. Agradeço a solidariedade de muitos diante da minha derrota ao Senado (escrevo na primeira pessoa pois sei, como em outras guerras ao longo da história já foi dito "A vitória tem muitos pais e mães, a derrota é orfã!").

Registro que enfrentei o mais sórdido conluio entre os que vivem nos esgotos do Palácio do Planalto - ostentando vulgarmente riquezas roubadas e poder - e a podridão criminosa da política alagoana. Sobre esse doloroso processo só me resta ostentar orgulhosamente as cicatrizes, os belos sinais sagrados dos que estiveram no campo de batalha sem conluio, sem covardia, sem rendição!



2. Comunico à Direção Nacional e Militância do PSOL a minha decisão de formalizar o que de fato já é uma realidade há meses, diante das alterações estatutárias promovidas pela maioria do DN me afastando das atribuições da Presidência. Como é de conhecimento de todas(os) fui eleita no II Congresso Nacional por uma Chapa Minoritária, composta majoritariamente pelo MES e Poder Popular (MTL), em um momento da vida partidária extremamente tumultuado que mais parecia a velha e cruel opção metodológica das lutas internas pelo aparato diante dos escombros de miserabilidade e indigência da nossa Classe Trabalhadora. Daí em diante o aprofundamento da desprezível carnificina política foi ora transparente ora dissimulado mas absolutamente claro!


Assim sendo, em respeito à nossa Militância e aos muitos Dirigentes que tanto admiro e por total falta de identidade com as posições assumidas nos últimos meses pela maioria das Instâncias Nacionais (culminando com o apoio a Candidatura de Dilma!) tenho clareza que melhor será para a organização e estruturação do Partido o meu afastamento e a minha permanência como Militante Fundadora do PSOL, sempre à disposição das nobres tarefas de organização das lutas do nosso querido povo brasileiro! Avante Camaradas!





Maceió, 19 de Outubro de 2010


Heloísa Helena

EDUCADORA CRITICA POSTURA DO SUBÚRBIO NEWS


Mensagem:

Gostaria de saber se esse site do suburbio é realmente registrado? Se tem alguma fiscalização para as entrevistas e matérias publicadas, pois o site só beneficia os políticos que o proprietario Nelson Fontes apoia.

EX: João Henrique, Antonio Brito,Adriano nessa última eleição. Gostaria de saber tb se ele é vereador, pois todas as obras do subúrbio ele coloca no site informando que foi o Suburbio News que conseguiu com a Prefeitura, os vereadores devem se demitirem pq o prefeito com esse site não necessita de vereadores.

Por favor analisem essa situação pois esse é uma vergonha, um site de informações a comunidade suburbana passar informações que só o tal do Nelson é o unico beneficiado. Ele é tão cara de pau que colocou uma pesquisa dos candidatos a deputados e só os deles estavam liderando. Pelo amor de deus isso é uma vergonha para o Subúrbio. um abraço (Ana Maria, educadora)

Fonte: Bahia Já Jornalismo

Link: http://www.bahiaja.com.br/noticia.php?idNoticia=29677

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cresce adesão ao Movimento Salvador pela paz


O Movimento Salvador Pela Paz vem ganhando a adesão de vários setores da sociedade soteropolitana e, na Câmara Municipal, já conta com o apoio do presidente da Casa, vereador Alan Sanches (PMDB), que considera a ação suprapartidária mais uma bandeira positiva para promover a cultura da paz na cidade.



Segundo Jupiraci Borges, coordenador do Movimento Salvador Pela Paz, o momento é de mobilização e de entendimento. Para atingir uma sociedade mais justa e pacífica, Jupiraci prega a organização estudantil, das lideranças comunitárias, dos jovens, adultos e idosos e do cidadão simples que, segundo ele, “nem sempre sabe fazer reflexões profundas e acadêmicas sobre a segurança”.



“Somente quando os educadores, artistas, lideranças comunitárias, líderes religiosos, instituições de classe, empresas e todos aqueles que promovem a cultura de uma forma geral e os que compõem a sociedade civil se unirem, poderemos sonhar que estaremos na direção da construção da paz”, destaca Jupiraci.

Na Câmara, o vereador Alan Sanches apoia a causa suprapartidária



Na sua avaliação, os altos índices de violência, crueldades e degradação não param de crescer no país. “Precisamos conhecer as causas destes fenômenos em suas nascentes e compreender e explicar como o ser humano pode ir tão longe, a ponto de colocar em risco sua sobrevivência e a da comunidade em que vive. Precisamos desenrolar os emaranhados das fontes geradoras da violência, a fim de sabermos como despertar as fontes geradoras de paz”, analisa.



“A paz é uma construção conjunta e que não existe paz individual, isolada e gradeada”, entende o coordenador do movimento. Mais informações podem ser obtidas no site www.salvadorpelapaz.com.br.

Confira no Link: http://www.cms.ba.gov.br/noticias.asp?refnot=2173

terça-feira, 5 de outubro de 2010

‘ESTRELAS’ BAIANAS NOCAUTEADAS NA ELEIÇÃO


Para quem pensou que o fenômeno Tiririca iria se alastrar pelo país, pelo menos na Bahia não foi o que aconteceu. Celebridades, dos mais diversos segmentos, deram com os burros n’água nas eleições deste ano. A lista é grande, mas só para citar alguns notáveis, Popó (PRB) foi nocauteado no primeiro round, Léo Kret (PR) e Porreta da Mata Escura (PSL) urraram de dor, o sistema foi bruto com Uziel Bueno (PTN), a camisa de Jean Nanico (PTB) ficou desbotada e a “kirica” de Gerônimo (PV) ficou sem “bussanha”. Ainda faltou bala na agulha para a “delegata” Patrícia Nuno (PMDB) e o glamour para a socialite Fabíola Mansur (PSB), oftalmologista nas horas vagas. Por falar em high society, o barão Flavinho (PR) ficou mais indigente que o vetado Neto Pobre (PRTB). No dial, o rádio de Dona Raquel (PSDB), proprietária da Piatã FM, que autointitulou-se “a rainha do pagode”, ficou afônico, e a Sheila Varela (PRB) só conseguiu um cartão vermelho. O Pastor Manassés (PSB), por sua vez, precisará de reabilitação. Já o Coronel Santana (PTN), aquele que foi flagrado a receber suposto dinheiro de propina de compra de viaturas pela Operação Nêmesis, não conseguiu transferir a fama obtida nas páginas policiais para as urnas.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010: Deputados federais eleitos na Bahia



Coligação PRA BAHIA SEGUIR MUDANDO (Vagas: 22)
Rui Costa PT – 205.082
Pelegrino PT – 202.470
João Leão PP – 201.719
Mário Negromonte PP – 168.492
Márcio Marinho PRB – 157.742
Felix Jr PDT – 148.104
Afonso Florence PT – 141.401
Daniel Almeida PCdoB – 134.680
Valmir Assunção PT – 131.775
Zézeu PT – 108.539
Edson Pimenta PCdoB – 103.286
Alice Portugal PCdoB – 101.298
Waldenor PT – 87.800
Oziel Oliveira PDT - 79.516
Geraldo Simões PT – 75.879
Josias Gomes PT – 69.245
Jose Carlos Araujo PDT – 68.873
Marcos Medrado PDT – 68.068
Luiz Argôlo PP – 66.677
Roberto Britto PP – 63.981
Amauri Teixeira PT – 63.603
Luiz Alberto PT – 63.308

PARA FAZER ACONTECER (Vagas: 8 )
Lucio Vieira Lima PMDB – 219.031
Mauricio Trindade PR – 77.255
João Bacelar PR – 74.918
José Rocha PR – 71.408
Sérgio Brito PSC – 70.759
Antonio Brito PTB – 70.125
Arthur Maia PMDB – 69.556
Erivelton Santana PSC – 69.501

DEMOCRATAS (Vagas: 6)
ACM Neto DEM - 326.893
Fernando Torres DEM – 78.347
Claudio Cajado DEM - 71.978
José Nunes Dem – 70.406
Fabio Souto DEM – 65.913
Paulo Magalhães DEM – 53.452

PSDB (Vagas: 2)
Antonio Imbassahy PSDB - 112.465
Jutahy Magalhães Júnior PSDB - 108.086

Coligação VITóRIA DE UMA BAHIA QUE TEM PRESSA (Vagas: 1)
Jânio Natal PRP – 41.537

Eleições 2010: Deputados estaduais eleitos na Bahia


O governador Jaques Wagner conseguiu 26 cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia e conquistou a maioria.

Confira abaixo os 63 parlamentares eleitos neste domingo, 3 de outubro.

Coligação PRA FRENTE BAHIA (Vagas: 26)

Marcelo Nilo PDT - 134.396
Mário Negromonte Júnior PP - 113.193
Ronaldo Carletto PP - 101.433
Zé Neto PT - 79.925
Luiza Maia PT - 79.806
Cacá Leão PP – 78.528
Roberto Carlos PDT - 75.474
Zé Raimundo PT - 70.257
Rosemberg Pinto PT - 69.951
Euclides Fernandes PDT - 62.892
Sidelvan Nóbrega PRB - 62.371
Marcelino Galo PT - 58.703
Fátima Nunes PT - 57.704
Pastor José De Arimatéia PRB – 56.849
Neusa Cadore PT - 56.095
Joseildo Ramos PT - 55.684
Paulo Rangel PT - 55.298
Maria Del Carmen PT - 53.700
Aderbal Caldas PP - 53.108
João Bonfim PDT – 46.730
Luiz Augusto PP - 45.412
Coronel PP – 40.994
Paulo Camera PDT - 40.427
J. Carlos PT - 39.895
Bira Corôa PT – 39.222
Carlos Brasileiro PT - 38.804

Coligação MAIS AÇÃO, MAIS BAHIA (Vagas: 15)

Maria Luiza Carneiro PSC – 65.583
Graça Pimenta PR - 64.929
Leur Lomanto Junior PMDB - 50.431
Reinaldo Braga PR - 48.157
Alan Sanches PMDB - 47.290
Sandro Régis PR – 46.746
Carlos Ubaldino PSC - 46.691
Ivana Bastos PMDB - 46.079
Luciano Simões PMDB - 45.486
Targino Machado PSC - 45.262
Angela Sousa PSC - 43.537
Pedro Tavares PMDB - 43.001
Temóteo Brito PMDB - 42.923
Vando PSC - 39.632
Elmar PR - 38.376

DEM (Vagas: 5)

Tom DEM – 61.579
Rogério Andrade DEM – 60.136
Gildasio Penedo DEM – 57.689
Herbert Barbosa DEM – 46.510
Paulo Azi DEM – 40.887

Coligação LUTA DE UMA BAHIA QUE TEM PRESSA (Vagas: 4)

Claudia Oliveira PT do B - 57.780
Bruno Reis PRP – 55.189
Adolfo Menezes PRP - 52.106
Maria Luiza Laudano PT do B – 43.794

PCdoB (Vagas: 4)

Fabricio PC do B – 51.923
Álvaro Gomes PC do B – 38.441
Kelly Magalhães PC do B – 35.040
Wenceslau PC do B – 31.80

A BAHIA QUER PAZ, A BAHIA QUER MAIS (Vagas: 3)

Joao Carlos Bacelar PTN - 46.845
Carlos Geilson PTN – 36.998
Coronel Gilberto Santana PTN – 28.725

FRENTE DOIS DE JULHO (Vagas: 3)

Deraldo Damasceno PSL - 65.284
Nelson Leal PSL – 58.650
PR SGTº Isidorio PSB - 46.923

PSDB (Vagas: 2)

Adolfo Viana PSDB – 32.541
Augusto Castro PSDB – 30.951

PV (Vaga: 1)

Eures Ribeiro PV – 24.433

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O preço da vida: R$ 10


Quinta-feira, 17h. Faltavam só 60 minutos para a vida de Daniel acabar. A mãe não confiava mais em dar dinheiro para o filho de 15 anos que já tinha roubado a vizinhança toda e torrado tudo em droga. “Os homens” tinham prometido dar o tiro na cara. O medo maior do garoto, no entanto, era da sessão de porrada que viria antes da “bala de misericórdia”. Quem deve ao tráfico, é sabido, não tem morte rápida. E, daquela vez, Daniel não tinha a menor esperança de conseguir R$ 50 para salvar sua pele. O prazo vencia às 18h.

Por valor ainda menor, outros meninos da mesma idade de Daniel deixam a vida por causa da dependência química. A nota de R$ 10 que eles não entregam na "boca” para pagar o quanto devem por uso de crack vira o preço médio de suas vidas, segundo constatou o iG nos programas de proteção à criança ameaçada de morte em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Sul.

Nunca ninguém contou quantos deles morreram por não darem dinheiro ao mercado paralelo de entorpecentes. Sob a forma de algarismos, estes meninos estão misturados entre os dados que fazem da violência a principal causa de morte de homens brasileiros entre 10 e 25 anos. Estão também entre os números que contam a escalada de 32% de homicídios nos últimos 15 anos. Freqüentam ainda as informações sobre déficit de vagas para tratamento clínico – e eficiente – para combater o vício nas drogas.

Daniel tinha 50 minutos para não fazer parte destes estudos numéricos do IBGE e Ministério da Saúde. A tentativa de salvamento foi acompanhada pela reportagem que assistiu ao início da ação de uma rede articulada e sigilosa no País que, diariamente, trabalha para que estes adolescentes não virem estatísticas resultantes da parceria entre drogas, saúde falha e assassinatos.

O rosto

A sigla do grupo é PPCAAM: Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte. O início da atuação é o ano de 2003, em São Paulo e Belo Horizonte. O avanço da epidemia de crack – e a consequente proliferação de homicídios, como detectou pesquisa da PUC de Belo Horizonte – fez com que a Secretaria Especial de Direitos Humanos tivesse a necessidade de ampliar a rede.

Hoje, 11 capitais já têm o programa de proteção, escolhidas de acordo com os níveis altos de letalidade juvenil. A missão é acolher pessoas com menos de 18 anos e com a vida ameaçada. Além dos garotos, alguns familiares também precisam ser protegidos.

Eles mudam de bairro, de escola e de rotina por pelo menos três meses. Em casos mais extremos, até a identidade é trocada. Orkut, MSN, celular são proibidos. Nada pode ser transformado em pista para seus algozes. Se um deles for morto enquanto estiver protegido, é decretado o fim do pacto de confiança selado, com muito custo, entre os agentes do PPCAAM e os meninos.

Até agora, já passaram pelas mãos do programa 1.592 crianças e adolescentes, 60% deles por causa do envolvimento com o tráfico de drogas. Quando não são os traficantes que os sentenciam à morte, são fome, falta de moradia adequada, abandono dos pais, transtornos mentais, tentativas de suicídio, testemunho de crimes e brigas de gangue que dividem o ranking de outros motivos para a proteção.

“Mas mesmo quando a droga não é o motivo principal para a proteção, os meninos e meninas sempre trazem algum relato que associa seus problemas ao uso de cocaína, crack e álcool”, afirma a coordenadora do PPCAM do Espírito Santo, Renata Freire Batista.

No mês passado, 641 jovens no País estavam tentando sair do alvo da morte violenta por meio da proteção dos PPCAAMs. Os rostos que precisam ficar escondidos têm perfil quase unânime: 76% são negros, 59% têm entre 15 e 17 anos, 95% não terminaram o ensino fundamental. Metade – apenas metade – é desligada do programa por consolidação da inserção social e cessação da ameaça.

O restante? Foge, não aceita a proteção, não consegue ficar seguro sem as drogas, não encontra uma opção de tratamento público e disponível para "já". "Ou simplesmente não entende que morrer é perigoso", conta Célia Cristina Whitalker, secretária executiva da comissão municipal de direitos humanos de São Paulo, pasta responsável pelo PPCAM paulistano.

“Eles já experimentaram a violência tantas outras vezes antes de chegar até nós que têm dificuldade para reconhecer como é uma vida sem ameaça”, conta Célia.
“São tão seduzidos pela violência, que o nosso primeiro desafio é mostrar que não há glamour em ser ameaçado.”

“Fichinha”
Naquela quinta-feira que prometia ser a última da vida de Daniel ele só tinha medo da morte porque, uma semana antes, viu de perto como ela poderia seria cruel. Seu amigo de “rolê” não havia honrado o compromisso de pagar o que devia. Levou tiros na nuca e nas costas. Morreu na hora, estirado no beco da capital paulista.
Daniel apanhou dos mesmos caras, pouco antes de assistir o menino ser alvejado. Com o olho esquerdo roxo e a voz rouca de tanto ser enforcado, ele tentava explicar a um grupo de profissionais que serve de porta de entrada do PPCAAM porque preferia o dinheiro para sanar sua dívida de R$ 50 do que ser protegido para não acabar como o colega.

“Se eu não pagar, eles vão arrombar a minha casa, matar minha mãe e meu irmão. O que vocês assistem nos programas de TV que mostram o mundo do crime é fichinha perto do que eles fazem na vida real.”

Daniel deu a primeira tragada no cigarro de maconha aos 10 anos. Não gostou do barato que deixava tudo “meio em câmera lenta”. A cocaína era mais interessante. Adrenalina pura, conseguida no banheiro da escola, com uma só cheirada.

Na primeira vez deram “a farinha” de graça. Na segunda, já cobraram. Um dia a mesada não deu mais para sustentar a droga preferida, cara demais para o bolso do adolescente. Por isso, às vezes, ele se rende ao crack. Para a boca de fumo, o garoto já levou o aparelho de som, depois os brinquedos do irmão mais novo, os CDs da mãe, o GPS do pai. Em uma dessas reviradas de gavetas na calada da noite, encontrou uma faca usada para abrir cartas. Passou a praticar furtos na vizinhança.

O olhar de medo dos vizinhos começou a ser interpretado como sinal de respeito. Em segredo, a mãe até rezava para ele ser pego pela polícia.

“Juro que não sei onde errei. O meu filho menor não é assim. O Daniel tinha tudo para ser o que ele quisesse. Quem na vida sonha em ser bandido?”, questionava-se a mulher.

Cheio de marra – a penugem escura e rala sobre o lábio indica apenas o início da puberdade – Daniel exibia na mão direita um anel de ouro falso. Ele só tinha 14 anos quando se apaixonou por uma garota de 19 e colocou a aliança para mostrar compromisso. “Sou mais ou menos noivo”, disse com um sorrisinho. Pensava um dia fazer dinheiro, mudar dali e comprar um carro. Aprendeu a dirigir aos 11 anos. Adora o Orkut e a internet, onde consegue baixar os Proibidões do Funk, seu estilo de música favorito. Foi em tudo isso que ele pensou antes de se convencer que, naquele dia, não poderia voltar mais para a rotina de sempre.

A mãe estava junto com o garoto na tentativa de salvamento. E junto com os outros profissionais do programa convenceu o menino a aceitar a proteção. “Sempre soube que a minha vida iria acabar uma hora. Não quero que ninguém adiante isso”, falou o garoto para expressar que, sim, aceitava “ser protegido”.

Sem saída

O destino de Daniel era incerto, o relógio andava rápido e o grupo de funcionários precisava encontrar um local seguro para ele passar, pelo menos, uma semana. Os telefones foram disparados em busca de algum canto da cidade. Os garotos que estão no fio da navalha podem ser o fósforo que faltava em um barril de pólvora, caso encaminhados para algum local errado. Em uma das ligações, um endereço que faz parte da rede sigilosa aceitou receber o adolescente. Os ponteiros do relógio já marcavam 17h45. A mãe deu um beijo na testa dele e sugeriu “juízo”. Foi embora orientada a pagar o que o filho devia caso “os homens" aparecessem.

Apesar da história de ameaça relatada por aquela família, é preciso uma avaliação do Ministério Público, do Juizado da Vara e da Infância ou do Conselho Tutelar para algum menino ingressar de fato no PPCAAM. Daniel passaria por este processo enquanto provisoriamente deixava o bairro onde morava.

O critério de inclusão precisa ser minucioso – e rígido – pois privar alguém de liberdade para garantir a sobrevivência não pode ser regra, precisa ser exceção. “Em várias ocasiões, identifica-se que a principal questão posta é a vulnerabilidade social e não a ameaça de morte. E, por outro lado, algumas famílias optam por buscar outros meios para garantir a proteção das crianças e adolescentes (como a casa de parentes em outros municípios), visto que a inserção no programa provoca algumas mudanças”,explica Flora Luciana de Oliveira, coordenadora do PPCAAM do Rio Grande Do Sul, que começou a funcionar de maneira integrada só este ano.

A decisão de quem será ou não protegido é de revirar o estômago, mas não supera a angústia vivenciada quando o PPCAAM não existia, lembra Cláudia Tourinho, coordenadora do programa da Bahia, instalado em março deste ano. “Não tínhamos saída”, conta.

“Muitas crianças podem ter sido mortas por não chegarem até a gente. Era muito difícil conviver com estes pedidos. Hoje, um pouco de tranqüilidade é trazida com a rede. Nenhum menino que chegou até nós morreu”, comemora.

Valido muito pouco

O rótulo “ameaçado de morte” pesa. E a origem dele é confusa, explica o juiz da Vara e Infância e Juventude de Santo Amaro (na capital paulista), Iasin Issa Ahmed, que coordenou o PPCAAM de São Paulo por três anos.

“Não sabemos se é a droga que atrai a violência ou o inverso. A história de início nebuloso destes meninos tem desfecho ainda mais incerto" conta Ahmed.

“Vivemos com as mãos atadas após a proteção. Se o menino está protegido e tem uma crise de abstinência por falta da droga, é muito difícil conseguir com o governo o tratamento para ele. Não há vagas. Eles fogem e, no dia seguinte, vamos escutar um novo pedido, de uma mãe desesperada, que não suporta mais a contagem regressiva para o assassinato de um filho seu.”

Renata Batista, coordenadora do Espírito Santo, diz que qualquer garoto, de classe média, pobre ou rico, que faz uso excessivo de droga é vulnerável à ameaça. “Mas a lógica que predomina entre os que podem ou não ser exterminados é perversa. Existe ‘os matáveis’ e os ‘não matáveis’. O primeiro grupo não tem pai, mãe nem ninguém para pagar as dívidas de drogas. E a vida destes meninos tem valido muito pouco. Não é por mil ou dois mil reais. O preço é 10 reais” lamenta.

Naquele início de noite de quinta-feira, Daniel ainda não sabia de sera do grupo dos matáveis ou não. O medo, nítido em sua expressão no início, agora começava a dar lugar para uma impaciência, quase incontrolável. Ele mexia as mãos e os pés sem parar. Bebeu quase dois litros de água. Já falava pouco e não olhava mais ninguém nos olhos. Indícios de que as quase 36 horas que estava sem usar cocaína estavam fazendo efeito.

Os profissionais que o acompanhavam tentavam puxar assunto e pouco conseguiam entrar na mente do garoto impaciente. Ele não sabia o que era Holanda, o que impediu a continuidade da conversa sobre os planos de morar fora do Brasil. Não conseguiu escolher uma matéria preferida da escola. Não falou de música. Até que o fio condutor do diálogo, finalmente foi encontrado: ao lado do veículo em que estava, passou um carro antigo e os olhos de Daniel brilharam. “Sempre quis um desses”, falou apontando a um Chevette. Mas o sorriso só apareceu quando falaram de super-heróis. “Sou fissurado naqueles heróis que são mutantes, sabe?”, disse o garoto.
X-men e sushimen.

Quase todos os garotos que ingressam no PPCAAM sofrem mesmo da “síndrome de super-heróis”. Primeiro porque são garotos, o que torna a fantasia natural. Segundo porque enfrentam enredos que parecem existir só em filmes de ação, em que bandidos e mocinhos não têm função definida.

“São super-heróis que dão o mesmo valor para a vida e para morte”, compara Célia, a coordenadora do PPCAAM paulistano.

Às 21h, ainda vivo – mesmo após quatro horas do fim do seu prazo –, Daniel já não pensava mais no tempo enquanto falava com entusiasmo sobre o X-men. Entrou em seu "lar provisório" com o compromisso de não contar sobre a sua ameaça. Ele agora era um super-herói na imaginação.

Para a segurança do adolescente, a reportagem não pôde acompanhá-lo por mais tempo. Se é impossível saber como foi a “sexta-feira do X-men de 15 anos”, Cláudia Aguiar, coordenadora do PPCAAM de Belo Horizonte, afirma que o desafio diário de não perder a esperança de salvar estes meninos é muito compensador.

“Um dia uma de nossas funcionárias foi a um restaurante japonês e encontrou um dos meninos que já havia passado pelo PPCAAM trabalhando como sushiman, tocando a vidinha dele, feliz da vida. Foi tão recompensador... É isso que nos dá força.”

Quanto vale?

Daniel tomou banho, vestiu roupa de frio e despediu-se do grupo que, por um dia, salvou a sua vida. Antes de falar tchau, topou escrever em uma folha de caderno quais são seus sonhos. Nas seis linhas abaixo, deixou explícito que não custa
caro fazer este menino feliz. Ao mesmo tempo, evidenciou que sua vida não pode valer só R$ 10.