segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entrevista Tribuna da Bahia com o Deputado Zezéu Ribeiro


Tribuna da Bahia – Por que tanta dificuldade para emplacar ministros baianos no governo Dilma?


Zezéu Ribeiro – Olha, baianos, já tem até alguns. Tem o Mário Negromonte, que é baiano. Tem a Luiza Bairros, que não é baiana, mas está erradicada na Bahia há muitos anos. A Lúcia Falcón, que é baiana, está em Aracaju, e vai para o Desenvolvimento Agrário. Quer dizer, tem baianos. Eu acho que, no PT, a gente cometeu um erro, porque teve um Ministério muito paulistano. Dos oito primeiros cargos de ministros, eram oito do PT e oito de São Paulo, então, eu acho que isso é um equívoco. Você tinha que pluralizar mais geograficamente esse processo. Depois, se você imaginar uma postura estratégica do crescimento do partido, o Nordeste deu uma vitória mais expressiva. Para você ter uma ideia, o PMDB tem três dos cinco ministros nordestinos, o PSB, dos dois ministros, dois são nordestinos, o PCdoB, possivelmente, terá a Luciana (Santos, PCdoB). Então, a região Nordeste vai ter uma porção de ministros e são ministros não petistas. O PT ficou numa situação difícil em relação a isso e eu acho isso ruim.

Tribuna – Foi uma falha do PT baiano, uma falha do governador?

Zezéu – Não, eu acho que a gente, no PT, sofre. Eu faço política desde a política secundarista. Na política secundarista, universitária, profissional, sindical, a gente tem uma mentalidade daquela coisa da locomotiva puxando os vagões. Veem o Brasil a partir de São Paulo e essa é uma perspectiva ruim e esta se afirma culturalmente nesse processo todo pela pujança, pela importância que se tem em São Paulo, e isso acaba minimizando todas as outras áreas. Faz parte da cultura paulistana, e o PT é dependente desse processo.

Tribuna – O governador Jaques Wagner fala muito da relação pessoal com a presidente Dilma. Ele estaria com dificuldades para garantir espaço na formação ministerial?

Zezéu – Ele colocou as nossas reivindicações. Não foi contemplado, a princípio. É um processo de conquista de espaço. A nível dos investimentos, ele tem conseguido atrair coisas importantes para a Bahia e ele quer projetos, quer alterar esse padrão da Bahia e vai fazê-lo no curso do processo.

Tribuna – A Bahia tem hoje a Integração, a Cultura, o Esporte, a CGU, a Petrobras. Qual deveria ser o espaço do PT baiano na nova formação ministerial?

Zezéu – Isso não é pontificável dessa forma. Você fez, inclusive, uma generalização boa porque você tem dois que estão fora da Bahia há muito tempo e não têm hoje essa ligação com o estado, e não foi por indicação da Bahia. Então, aí a gente pode ampliar. Mas o que a gente tem que ter condição é de ter presença no cenário nacional e ter capacidade de influenciar decisões políticas. Isso se faz através da bancada, através do governador e da representação ministerial também. Eu acho que nesse ponto a gente é credor.

Tribuna – A Bahia teve grande relevância na eleição federal. O PT baiano não estaria sendo desprestigiado pela não presença de um petista na composição do Ministério dela?

Zezéu – Não dá para ficar chovendo no molhado. Eu já coloquei essa questão. Não dá para medir dessa forma. Agora, eu acho que o Nordeste como um todo, o PT do Nordeste como um todo, pela importância, e a Bahia, em particular, terminaram não tendo a representatividade que mereceu no quadro ministerial.

Tribuna – Existe alguma possibilidade de o PT nacional ceder espaço de decisão para outros estados? A Bahia tem pleiteado isso junto à executiva?

Zezéu – A gente não pode fazer guerra, mas temos que lutar por um tratamento diferenciado para o Nordeste porque se a gente trata igualmente os desiguais, a gente acirra a desigualdade. Isso se dá no âmbito das políticas públicas. Temos feito políticas públicas que levaram a um crescimento maior do Nordeste do que a média nacional. Isso se dá através de injeção de recursos e, para isso, a representatividade nesse sentido é fundamental. Então, nós vamos lutar por isso. Eu coordenei a bancada do Nordeste nesses quatro anos e usei esse espaço para podermos trabalhar nessa diferenciação. Agora a gente tem que avançar. A gente precisa ter efetivamente implantada uma política nacional de desenvolvimento regional. Recriamos a Sudene, mas, infelizmente, ela não teve força em posição dos vetos colocados ao projeto e, por inépcia da administração, a gente ficou sem alavancar como deveria e, por essa razão, não criamos o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, mas criamos o arcabouço de uma política nacional de desenvolvimento regional. Então, quer dizer, são avanços setoriais, pontuais, às vezes gerais, mas acho que não chegam ao desiderato maior e agente vai construindo e, com certeza, alterando essa realidade.

Tribuna – Expectativas para o governo Dilma. Qual será a maior vantagem encontrada e o maior problema herdado, para ser administrado?

Zezéu – Dilma já encontra um espaço aberto para começar. Existe uma resistência ideológica, muitas vezes até dos próprios parceiros, mas o governo Lula conseguiu um sucesso extraordinário, então isso abriu o caminho, é uma grande estrada aberta para isso. Essa é a vantagem que ela tem. Ela foi eleita, inclusive, em cima disso. Claro que a influência pessoal de Lula tem, mas não é porque Lula faz um bom discurso, é também por isso, mas é porque Lula mudou a realidade do povo. Nós criamos um processo de mobilidade social extraordinário com distribuição de riquezas, quebramos o paradigma de que é preciso concentrar para crescer. Entendemos que, para crescer, precisamos distribuir para criar um mercado interno e esse mercado interno fosse indutor do crescimento e isso deu certo.

Tribuna – Formação do secretariado Wagner. Acredita que o governador conseguirá imprimir um ritmo mais técnico à sua gestão?

Zezéu – Na política, a técnica vem como aporte. Nós temos que ter um secretariado com uma perspectiva política concreta, de incrementação dessas políticas e compreensão das prioridades, e que você tenha um respaldo técnico para isso. Então, você tem que fazer a composição desses dois fatores. Tem que ter a capacidade técnica de respaldar uma política concreta de transformação da realidade. Eu espero que as alterações que vão ser feitas, que não vão ser completas - é um governo de continuidade, não de afirmação, respaldado enormemente nas urnas, pela votação expressiva - são só do governador. Mas, por termos eleito a maior bancada do nosso partido e constituído maioria na Câmara Federal e na bancada da Bahia, fazendo na Assembleia Legislativa a maior bancada, por termos eleito os dois senadores, eleito a presidente da República com uma margem espetacular, isso nos dá uma tranquilidade muito grande de estar em sintonia com os anseios populares. Agora, isso não pode parar. Tem que ser respaldado com as forças da sociedade, com movimento social, com empresariado, com o corpo acadêmico, técnico, que escute, que participe, a sociedade organizada como um todo.

Tribuna – Como acomodar tantos partidos em tão poucos espaços no primeiro escalão do governo?

Zezéu – Tem muito espaço. Temos que ocupar esse espaço sem aparelhamento, ocupando-o de forma republicana, mas com o partilhamento das forças. Tem uma crítica à amplitude que está tomando na Assembleia Legislativa. A gente não precisa ser tão grande porque aí a gente traz o inimigo para dormir com a gente e isso é ruim. Então, a gente tem que diferenciar essa questão e não se submeter a uma maioria que termina sendo uma maioria falsa. Tem que agregar mais. Ter uma base mais sólida, mais coesa e consequente nesse processo.

Tribuna – Há um risco para o governador com esse inchaço na bancada governista?

Zezéu – Eu não posse chegar e afirmar isso, mas me cheira a uma coisa que não é boa.

Tribuna – O senhor tem alguma pretensão de participar do governo Wagner?

Zezéu – Eu fui reeleito para ser deputado. Estou buscando meus espaços na Câmara Federal. Acabei de ser nomeado agora como relator da medida provisória (MP) 514, que trata das operações do projeto Minha Casa, Minha Vida. Estou me credenciando para participar esse ano da Comissão do Orçamento, quero continuar o trabalho que venho fazendo na Comissão de Desenvolvimento Urbano, quero participar da Comissão do Meio Ambiente. Então, estou estruturando meu mandato. Essa foi a tarefa que o povo me deu. Se vier uma outra coisa, a gente vai ter que discutir o que fazer, como fazer e que condições a gente vai ter para fazer.

Tribuna – Qual a avaliação do senhor sobre a gestão do prefeito João Henrique?

Zezéu – Eu acho que a administração de João Henrique se apartou da cidade, está a serviço de alguns grupos econômicos. Desde o início passou por dificuldades. Nós fizemos um esforço no primeiro dele de participar, saímos de uma forma que eu acho que foi ruim porque não dialogamos com a sociedade no sentido de mostrar a diferenciação do nosso projeto para o que estava sendo realizado e terminou parecendo um oportunismo eleitoral, retardamos esse processo, saindo sem uma preparação. A população deve ser tratada como aliada, fazendo críticas, mas críticas construtivas, na expectativa de ficar e não na expectativa de sair. Se for fazer uma avaliação a respeito de ficar ou sair, eu assumo também a responsabilidade coletiva disso também, não estamos transferindo para ninguém e o governo foi se esvaindo, perdendo sua legitimidade. Infelizmente, acabamos passando por essa situação.

Tribuna – O que o senhor considera ser o maior erro e o maior acerto da gestão de João Henrique?

Zezéu – Olha, o processo, formalmente, se aplica com a deterioração do plano diretor. O plano diretor foi uma encomenda atendendo a determinados segmentos do setor econômico e não da cidade como um todo. A gente vive, então, uma deterioração do espaço urbano, uma dificuldade cada vez maior de mobilidade, por ações até externas, quer dizer, essa volúpia da indústria automobilística... Cada dia chega mais carro do que nasce gente, essa coisa vai crescendo e não tem solução. Ou a gente enfrenta a questão do transporte de massa e cria outro mecanismo de mobilidade urbana, ou a gente pensa a cidade para trabalhar o não transporte... Quer dizer, as pessoas têm acesso a muitos desserviços, que deveriam ter uma relação de vizinhança e não têm. É necessário induzir a localização de equipamentos públicos e privados, criando vantagens para sua localização. Então, a cidade não é olhada com carinho, é olhada como negócio e, aí, ela perde.

Tribuna – Qual será o posicionamento do PT em relação a João Henrique?

Zezéu – O PT tem que ter um posicionamento com relação à cidade de Salvador. A gente tem que discutir profundamente a cidade de Salvador, levantar políticas públicas, buscar ajudar a administração no sentido de que melhore a qualidade de vida da população e combater os equívocos da gestão. A gente tem que ganhar a sociedade e pensar na sociedade, construir uma sociedade melhor, se comprometer, desde as suas relações de vizinhança, de vida, de cuidados com a cidade. Precisamos saber que cidade a gente quer. Qual a expectativa dela. Vem a Copa do Mundo. O que é que fica depois do mundial? Como é que a gente vai ter essa cidade? Como é que a Copa pode induzir um processo de maior circulação?

Tribuna – O Estado deve assumir um protagonismo maior diante desse processo de carência da administração do município?

Zezéu – Temos que respeitar as instâncias dos dois. Temos objetivos comuns. Temos que debater em qualquer instância, tanto governo federal, estadual e municipal, quanto com o empresariado, que venham a construir PPPs com os entes públicos ou iniciativas privadas específicas, bem localizadas, que estejam articuladas com os projetos da cidade.

Tribuna – E 2012? Pelegrino conseguirá construir unanimidade entorno dele, dentro do partido?

Zezéu – Nelson já foi nosso candidato três vezes. Ele tem um reconhecimento no partido, na sua militância, está credenciado a esse processo e agora é só esperar esses dois anos aí para a gente concluir. A gente não pode discutir esse processo a partir do nome. Eu acho que a gente deve fazer uma revisão profunda. Estou me propondo a ajudar nesse processo para a gente pensar Salvador de uma outra forma.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A Polícia e a Mídia





Às três horas da manhã encontram-se reunidos na sala do SI de uma Delegacia Territorial que atende a uma área com alto índice de violência doze investigadores de polícia e um delegado, todos protegidos com os seus coletes anti balísticos, pistolas em punho fartamente municiadas, material recentemente adquirido pela Secretaria da Segurança Pública.

Em frente à Unidade, três viaturas novinhas estacionadas, aguardando os guerreiros da tropa que estão prontos para partir para campo, no afã de realizar um bom trabalho, com prisões, apreensão de armas e drogas. Afinal, com isso sonhávamos quando prestamos concurso para a Polícia Civil: a busca da verdade, o desvendar dos mistérios, e elucidação dos mais complicados casos que afetam a tranquilidade da população! Tecnicamente falando, comprovação da materialidade e identificação da autoria dos fatos delituosos.

Em cima da mesa do delegado, além da pizza com guaraná que agrada ao paladar e promove integração e harmonia da equipe, a arma mais poderosa, a INFORMAÇÃO.

A Polícia não pode correr o risco de trabalhar na base do improviso, lançando-se a ermo, atirando no escuro, pronta para ser devorada pelo universo do crime que se encontra aparelhado e muito bem organizado desde um pequeno núcleo, uma singela comunidade na beira da praia , colônia de pescadores, até o um morro estrangeiro, do alemão. Às cegas, tornamo-nos alvos.

Sem informação, é impossível dar o primeiro passo!! Não há o que se fazer a não ser manter nos registros policiais mais uma ocorrência, que vai engrossar a estatística dos fatos noticiados e não elucidados. E com tantos casos sem solução, a credibilidade da Instituição escoa pelo ralo do esgoto.

E o povo, coitado, grita "meu Deeeeeeeeeuuuss"!!! E busca socorro na imprensa de “S.Valera”, registrando o seu BO nos mais populares programas de denúncias, porque ali tem quem faça ecoar o seu problema; porque ali, quando se abre a boca, a terra estremece e a engrenagem do sistema começa a funcionar.

É um tal de liga daqui, chama à responsabilidade os de lá, repita-se os de lá, porque a culpa é sempre dos outros; movem-se os pauzinhos, chama a Polícia, a SUCOM, o Ministério Público, qualquer órgão que seja realmente competente, até que os dali parem de falar, de soltar chispas de críticas que podem incendiar toda uma gestão, com direito a identificação e escracho do Judas. Pronto, tudo resolvido, a paz volta a reinar.

Na faculdade de Direito aprendi que o que não está nos autos não existe, será que não queriam dizer que o que não está na TV, rádio e jornais não existe?

Mas de nada adianta o microfone ou o vozeirão, se a arma poderosa não se fizer presente na imprensa também. A INFORMAÇÃO!! Aí está a zona de intercessão entre a Polícia e a Mídia!

Sim, porque sem essa ferramenta não se escreve o primeiro parágrafo de uma matéria, a não ser que se tenha uma imaginação muito fértil e nenhuma responsabilidade.

Mas, sem responsabilidade não vale. É o mesmo que prender o inocente, e o pior é que a ídia pula todas as etapas do processo e condena no primeiro flash. O sujeito que tem a sua cara estampada na tela nunca mais tem sossego, fica marcado, porque a imprensa estabelece as verdades absolutas, que são reverberadas entre aqueles que nada tinham a dizer, porque pensar dá trabalho, ter opinião é privilégio de poucos e está em extinção, então passam a repetir. E uma mentira repetida mil vezes, como diz o meu pai, vira verdade.

A Polícia e a Mídia andam pegadas. De mãos dadas caminham em direção ao dever para com a sociedade na elucidação dos fatos, no compromisso com a verdade.

Compromisso com a verdade é respeito para com as pessoas, para com a sociedade e principalmente para consigo mesmo, enquanto profissional. Compromisso com a verdade é não se deixar iludir pela fama. É colocar Deus no coração, ter humildade, e vencer a tentação de ostentar poder, por vaidade.

Informação confere poder, muito poder. Por isso a terra estremece quando se chama a Polícia, ou quando se grita ao microfone. Mas sem responsabilidade, nem a Polícia nem a Mídia se sustentam, porque a base, a fundação, aquela estrutura que fica debaixo do chão, com importância muitas vezes esquecida pelas pessoas, chama-se CREDIBILIDADE, sem o que, meus caros, todo o conceito e respeito escoam pelo ralo do esgoto, eu digo mais uma vez.

Acontece que ninguém consegue repetir uma mentira mil vezes, porque as versões mudam a cada instante quando o fato não existiu. Assim, não há mentira que consiga virar verdade. Cada vez que se conta o mesmo conto se altera um ponto.

Então, parabéns aos meus queridos colegas, profissionais de segurança que realizam um trabalho sério e honesto! Parabéns aos meus amigos comunicadores, que têm no compromisso com a verdade o sustentáculo do seu sucesso que certamente se solidificará cada dia mais, até que sejam eternizados na historia da imprensa baiana,

Vamos enaltecer a boa Polícia e a boa Mídia.

E nesse caminho, nada mais resta a dizer senão, muita paz a todos vocês, profissionais de consciência tranquila.

* Patrícia Nuno é delegada de polícia e foi candidata a deputada estadual pelo PMDB.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Salvador recebe nesta sexta Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência

Organizações do movimento social, estudantes e grupos culturais participam da Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência, que hoje dia 10 dezembro com saída às 15h, do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador. A Marcha traz à tona com grande ênfase, o clamor e a denuncia pelo fim de todos os tipos de violência, discriminação e violações dos Direitos humanos.

A Marcha Nordestina é uma iniciativa do Mundo Sem Guerras, organismo internacional que atua ha 15 anos no campo do pacifismo e da não-violência. Na Bahia é realizada pelo Inconpaz,Coletivo de Entidades Negras, Movimento Salvador Pela Paz, Instituto Mão Amiga,Instituto Luther King, Familia Eclesial da Redenção e Prohomo.

Esse organismo foi o idealizador da 1ª Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência do planeta, que aconteceu do dia 2 de outubro de 2009 a 2 de janeiro de 2010, esse trajeto mundial que iniciou na Nova Zelândia e terminou na Cordilheira dos Andes teve duração de 90 dias, passou por mais de 90 países e 100 cidades nos cinco continentes, cobriu uma distância de 160.000 km por terra. Foi recebida por governantes de todas as esferas e líderes religiosos, e contou com adesões de personalidades do campo acadêmico, político, social, cultural e desportivo.

Com sua passagem no Brasil a Marcha Mundial Pela Paz e Não-Violência mobilizou vários estados, em Salvador aconteceu no dia 17 de dezembro de 2009, e teve o apoio da Prefeitura Municipal de Salvador, do Governo do Estado da Bahia e dos movimentos sociais, onde foram realizadas inúmeras ações como forma de chamar atenção para o alto índice de violência e também para gerar uma nova consciência baseada na paz e não-violência.


PARTICIPE DA MAIOR MOBILIZAÇÃO PELA PAZ DA HISTORIA E LEVE SUA MENSAGEM DE PAZ!

“Para que se escute o clamor de milhões de pessoas que querem a paz, o fim das guerras e de todas as formas de violência”


SERVIÇO:
O quê? Marcha Nordestina Pela Paz e Não-Violência
Quando? Hoje às 15h.
Onde? Saída do Campo Grande em direção a Praça Municipal de Salvador
Concentração? 14h, no Campo Grande.

Maiores informações através do site www.abahiapelapaz.com.br

Paulo Henrique Amorim é novo cidadão baiano

A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou nesta terça-feira (7) o Projeto de Resolução nº 2.018/2009, que concede o título de Cidadão Baiano ao jornalista Paulo Henrique Amorim, nascido no Rio de Janeiro.

De autoria do deputado Zé Neto (PT), o projeto foi aprovado durante sessão ordinária com 28 votos a favor e quatro contra.

A relação do jornalista com a Bahia, de acordo com o parlamentar, vem de berço. PHA é filho do também jornalista Deolindo Amorim, natural de Baixa Grande, no centro norte do estado. O comunicador, que atualmente trabalha na TV Record, apoiou abertamente a reeleição de Dilma Rousseff à Presidência da República nas eleições deste ano. “Paulo Henrique é um dos grandes nomes da comunicação no Brasil, pois realiza um trabalho independente, que preza pelo respeito ao seu público, levando aos lares brasileiros os fatos e acontecimentos que interferem na vida de cada um de nós”, disse Zé Neto, justificando a indicação.

Fonte Bahia Noticias

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Vamos com calma...Segurança Pessoal e Direitos Humanos


Estamos todos muito contentes com o fato das comunidades do Cruzeiro e do Alemão estarem (pelo menos provisoriamente) livres do julgo do tráfico? Estamos felizes por ninguém ter morrido na invasão do Alemão? Claro, ou não são também os moradores dessas regiões, cariocas, brasileiros que têm direito de ir e vir? Estou feliz pelo Rio, pelo Brasil, por nós todos, mas principalmente, estou feliz por quem mora na Penha.

No entanto preciso dizer: vamos com calma. A cobertura que grandes veículos de comunicação têm dado às operações policiais é de um triunfalismo perigoso que pode induzir a uma solução simplista (diga-se de passagem, muito mais sóbrias têm sido as declarações do Secretário de Segurança e do Governador do Rio).

A população da Zona Sul carioca (como microcosmo de nossa classe média-alta brasileira) embalada com a cobertura televisiva, em geral, se divide entre a excitação com "o dia D" redentor e a frustração por não ter visto aqueles traficantes em fuga serem alvejados por um atirador num helicóptero. As comunidades livres do traficantes? É possível. Está havendo uma mudança de paradigmas quando se fala em tráfico de drogas, talvez o modelo do jovem de periferia armado vendendo pó esteja mesmo acabando.

O Estado agora não pode sair das favelas reconquistadas, sob pena de repetição do esquema polícia-invade-muita-gente-morre-polícia-sai-o-tráfico-volta-e-toca-o-terror-na-comunidade, mas também não pode se manter lá só com a força policial, ou a mesma pode estabelecer uma relação de dominação semelhante à do tráfico ou das milícias com os moradores.

O Estado precisa se fazer presente por inteiro. As UPPs são um ótimo primeiro passo, embora a polícia não tenha efetivo para se instalar agora nem na Penha nem em outras centenas de favelas cariocas dominadas por poderes paralelos. Na Vila Cruzeiro e no Alemão, o jeito vai ser deixar o Exército tomando conta por sete meses enquanto esses policiais da futura UPP são contratados e treinados. De tudo, o melhor foi ouvir que a prefeitura do Rio tem um plano de urbanização e políticas sociais e culturais para as favelas invadidas.

Torço para que os agentes desse plano já façam companhia às Forças Armadas nesses sete meses, deixando alguns soldados livres para auxiliar no patrulhamento de fronteiras, impedindo que trezentos fuzis entrem no Complexo do Alemão.

Acabar com o tráfico? Aí é mais complexo. A única coisa que pode acabar mesmo com o tráfico é a legalização das drogas. Uma equação simples: enquanto houver consumo ilegal, haverá tráfico. De qualquer forma, a conquista de territórios perdidos e consequentemente das liberdades civis de seus moradores (conquistas que não combinam com abusos da polícia, que segundo alguns, participam de uma caça aos tesouros deixados por traficantes que fugiram pelo esgoto do PAC), é um grande avanço e merece aplausos, faz a gente pensar por que demorou tanto (Copa, Olimpíadas, não importa, antes tarde do que nunca). Me chamou atenção uma entrevista do chefe da polícia civil dizendo algo do tipo: "os bandidos da Rocinha que não se metam com a Zona Sul, senão vai sobrar para eles".

Os ataques dos bandidos à Zona Sul do Rio certamente precipitaram a reação do Governo, mas o domínio de uma parcela da cidade por um poder que não o instituído já não é motivo suficiente para uma ação como a da semana passada?

Enfim, a retomada da Vila Cruzeiro e do Alemão pelo Governo é exemplar e importante especialmente para devolver direitos civis aos moradores das respectivas comunidades e as UPPs são um grande projeto, pois é o Estado finalmente se fazendo presente em bolsões de pobreza historicamente negligenciados por políticos.

Mas vamos com calma. É fundamental que haja uma reforma profunda na polícia; os policiais ganham muito mal (vale pensar sobre a PEC 300), são muito mal treinados, trabalham em péssimas condições e têm na corrupção uma cultura instituída. É urgente fortalecer as corregedorias e combater a corrupção policial! É preciso que as polícias ajam com a inteligência que demonstraram nas invasões; coordenadas. É fundamental que haja um patrulhamento nas fronteiras e rodovias e que se combata o tráfico de armas, que haja reforma do código penal para que o bandido perigoso não saia logo e para que o ladrão de galinha apenas preste serviços comunitários e é importante que se construam presídios de segurança máxima que impeçam um bandido de comandar seus negócios da cadeia.

Tenho certeza que isso vai evitar muito sangue derramado na pura e simples política de confronto. Mas, mais do que tudo: a questão da segurança pública passa necessariamente pela questão social e isso não é esquerdismo naif. As comunidades pobres precisam deixar de ser tratadas como um caso de polícia. Precisam de hospitais, saneamento básico, emprego, esporte, lazer e principalmente educação e cultura. Assim como é melhor não deixar o fuzil entrar do que trocar tiro com ele, é melhor cuidar para que o jovem de periferia tenha alternativas antes que ele se transforme num daqueles cem caras fugindo que a gente viu na tv.

Wagner Moura é ator da Globo