quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pedofilização da sociedade


Supermodelo mirim levanta discussão sobre exposição infantil

Para pesquisadora, fotos da modelo francesa de 10 anos de idade que posa como adulta representam "pedofilização da sociedade"

Filha de uma modelo com um jogador de futebol, Thylane Blondeau está com tudo. Fez fotos sensuais num editorial da Vogue francesa assinado por Tom Ford. Sua página de fãs no Facebook chegou a reunir 5 mil pessoas. Ela está no caminho do sucesso para se tornar uma das modelos mais famosas do mundo. A única ressalva é que Thylane tem apenas 10 anos de idade.

Se pensarmos no mundo da moda, Thylane não é tão mais nova que Gisele Bündchen no começo de sua carreira, aos 14. “Há algum tempo, as meninas começavam muito novas. Com 13 ou 14 anos já eram top models, viajavam pelo mundo. Hoje em dia, o mercado vem abolindo esta prática. No final das contas, são crianças para trabalhar”, diz Marcos Lacerda, que cuida das new faces – ou modelos novatas – da agência Ford Models.

Mas as fotos da pequena supermodelo feitas para a Vogue francesa em janeiro, exibidas novamente na TV norte-americana no início do mês, refletem algo muito além do trabalho infantil. “A expressão da sexualidade parece ser uma obrigação para as mulheres hoje em dia, e, consequentemente, é também para as meninas. A idealização de beleza e juventude afeta também as crianças, que não querem mais ser tão crianças assim”, comenta a professora de psicologia e pesquisadora do Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Jane Felipe de Souza.

“Crianças mais novas estão agindo e fazendo coisas de crianças mais velhas. Parece que o tempo está correndo cada vez mais rápido para elas”, diz a psicóloga norte-americana Diane Levin, autora do livro “A Infância Perdida” (Editora Gente). Isso é perigoso, afirma ela, pois crianças menores não têm tantos recursos lógicos para compreender situações típicas de outra faixa etária. Ou seja, uma menina de 14 anos pode entender o que significa ter um namorado, enquanto uma menina de oito dificilmente está preparada para lidar com isso.

“A juventude se tornou o principal valor da cultura ocidental, não necessariamente sexualização”, pondera a antropóloga Mirian Goldenberg.

“Pedofilização” da sociedade

Crescer com uma imagem idealizada de beleza e de sedução é o principal problema. “Meninas de cinco anos estão aprendendo a tratar a si mesmas como objetos. E começam a julgar as outras por esse mesmo parâmetro”, relata a autora norte-americana. Além do que representa para as crianças, este tipo de imagem mostra um pouco mais sobre a sociedade na qual elas vivem. “Quando se coloca o corpo infantil como corpo desejável, o que estamos querendo com isso? Nesse sentido, estamos nos tornando uma sociedade pedófila. Estamos construindo um olhar pedófilo em cima das crianças, principalmente das meninas”, diz Jane Felipe.

Na contramão do ocorrido no ensaio de Thylane Blondeau, tem-se também o uso de brinquedos e artigos do mundo infantil em ensaios eróticos, como lembra Jane. Co-autora de “A Infância Perdida”, Jean Kilbourne concorda com Jane. “Estamos criando um clima que normaliza a pedofilia e que coloca nossas crianças em perigo”, acredita. “As meninas querem se parecer com adultas e as adultas, cada vez mais, querem se parecer com meninas”, analisa Diane.


Está nos olhos de quem?

Para Mirian Goldenberg, devido à grande importância conquistada pelo sexo nos dias de hoje, a sexualização pode estar nos olhos de quem vê. “A criança está exposta a todos os olhares, inclusive aos perigosos. Não é a foto em si que é sexualizada, nem a intenção da mãe ou do fotógrafo, mas o olhar do outro. O medo e a perversidade do outro”, afirma Mirian.

Mas segundo Lais Fontenelle, coordenadora de Educação do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, o olhar pode ser perigoso. “A criança não está desenvolvida em todas as áreas, todos os comportamentos. Quando se expõe desse jeito, não está preparada para receber o retorno, receber este olhar”.

Consumo tem tudo a ver

Outra face escondida nas fotos de Thylane – e no uso de qualquer criança como modelo de publicidade – é a exploração cada vez maior das crianças como mercado consumidor. “As mensagens de consumo não diferenciam a idade. Cada vez mais, o mundo adulto foi se misturando ao infantil”, comenta Laís Fontenelle.

“As crianças crescem com a ideia de se sentir bem porque compraram algo bom, e não porque fizeram algo bom”, compara Diane Levin. No entanto, Mirian Goldenberg alerta para o papel limitado da publicidade, que deve ser regulamentada pela sociedade. “A publicidade reflete o que é valorizado. Ela procura entender a cultura em que se vive”, comenta a antropóloga.



E os pais?

Ao perceber que as fotos de Thylane tinham causado tanto impacto na rede, sua mãe, a modelo francesa Veronika Loubry, reagiu de maneira chocada. Fechou a página do Facebook dedicada à menina com o seguinte recado: “Thylane não sabe sobre nada disso [referindo-se à polêmica] e eu quero protegê-la. Ela é tão nova! Por isso, resolvemos fechar esta página”.

De acordo com as autoras de “Infância perdida”, Diane Levin e Jean Kilbourne, uma das principais maneiras de se proteger as crianças é manter o espaço aberto para a comunicação com elas. “Pais não deveriam comprar roupas sensuais para suas filhas e deveriam elogiá-las por qualidades que não somente as suas belezas”, diz Jean.
A força do exemplo também é indiscutível. “Eles podem escolher ser menos materialistas. E conversar com as crianças sobre as mensagens recebidas pela publicidade, pois elas entendem”, diz Lais Fontenele. “A partir do momento em que os pais deixam de colocar todos os valores da vida de seus filhos só na beleza e no exterior, e passam a colocá-los em uma série de compromissos internos e competências, já estão fazendo uma grande diferença”, finaliza Jane Felipe.



FONTE: http://delas.ig.com.br/filhos/supermodelo+mirim+levanta+discussao+sobre+exposicao+infantil/n1597161332841.html



O PELOURINHO QUE NÃO É BOM PARA OS TURISTAS


Por: JOSÉ JOAQUIM SANTOS SILVA

O Pelourinho de Salvador que não está nos cartões postais

Os comerciantes do Pelourinho cobriram, na manhã de quarta-feira, 2, as fachadas dos antigos casarões do Centro Histórico com panos pretos. Eles também fecharam as portas das lojas a partir de 15h, quando fizeram uma manifestação no Terreiro de Jesus.

Segundo o presidente da Associação dos Comerciantes do Centro Histórico de Salvador (Acopelô), Lenner Cunha, o ato foi um protesto contra a falta de políticas públicas do prefeito e governador para a região.

Na verdade o pelorinho está largado a mingua, o tal projeto de revitalização nunca sai do papel e sempre uma nova desculpa.

A cidade de Salvador deverá se reinventar, pois está tudo abandonada, é uma vergonha, dá medo, no entorno do MERCADO MODELO é um abandono total, o centro comercial, está uma lástima, casarões antigos abandonados, ao lado do elevador dá medo, segure a sua carteira, seu celular e principalmente a sua câmera digital. O Pelourinho está abandonado, a feira de SÃO JOAQUIM é uma imundice. vergonha . Quem duvidar de mim, vá lá ver e comprove. O povo precisa reagir, antes que seja tarde.
Na verdade também o que mais afasta e assusta os turistas no Pelourinho,é o assédio chato e agressivo, que os vendendores de fitinhas e bujigangas de "prata"(aluminio) fazem aos turistas. chega a ser desconfortante. turista que ser tratado como sua majestade "o turista". senão eles não voltam.

E, os nossos governantes tanto esse prefeito como esse governador, acham que a Bahia vai bem? onde na saúde, na educação, na segurança publica onde até Delegado jovem morre executado na estrada de Camaçari e ainda inventam que foi tentativa de assalto. Incventem outra !!! É uma vergonha!

Tudo isso aí são frutos amargos deste governo horrivel ele quer que a Bahia se exploda.

Prá dizer a verdade, o que é que o Pelourinho além de fachadas pintadas??? Por detrás do centro, onde fica a concentração para as festas encontram-se prostituição e drogas. Infelizmente essa realidade é muito dura. Alguma ação é necessário e esta pode provocar outras tantas outras importantes para a sua revitalização real não virtual. Chega de tanta mentira bolas !!!

Já que o Estado e a Prefeitura abandonaram o Pelorinho,como o resto da cidade,por que não abandonam também a cobrança dos impostos?

Esta é a "Bahia de todos nós", 90% entregue aos bandidos com os cérebros carregados de alcool, maconha, crack cocaina ou cola de sapato que quando entram nos coletivos, pizzarias, churrascarias e restaurantes, só nos resta ajoelhar ou agachar com as mãos na cabeça e orar para que o Sr Jesus nos proteja e que esses filhos do diabo sigam seu caminho sem machucar ou matar alguém..

Salvador está assim. Depois querem falar mal do Rio de Janeiro.

Aqui nem dentro de uma pizzaria ou churrascaria com ar-condicionado e telões, você tem sossego ao lado de sua famíla ou amigos.

Porque tá demais o total abandono e descaso desses governantes...alem da falta de seguranca, policiamento,sujeira sem fiscalizacao nos estabelecimentos da vigilancia sanitaria onde os banheiros sujos...ex: a Cantina da Lua lugar tão bonito, porém precisa fazer uns ajustes no setor limpeza. A arquitetura sem minimo de restauração...pena nossa cidade e tão bonita...vamos ajudar a salvar nossa cidade do descaso publico!

Também é uma vergonha a situação atual do pelourinho. A malandragem controla toda a área. Os turístas são abordados por bebados, vendedores não credenciados e à noite o crack domina. É lamentável, pois o quartel da PM está no local. Que tristeza, pobre Salvador.

Agora Governo do Estado do PT, vocês acham que assim dessa maneira vão valorizar o que foi reconstruido pelo Governo ACM?....Vocês estão redondamente enganados. Vocês são é incompetentes e vingativos e querem destruir tudo que foi feito por ele.
Para atingir a quem ????

Graças ao PT o " partido das trapaças" ,a nossa capital virou uma praça de guerra,nos transformamos no Estado mais violento do país,nossas atrações turisticas estão todas decadentes, os que não gostavam de ACM e não quiseram votar no Paulo Souto baiano legítimo e não um carioca como o Jaques Wagner que não tem nada a ver com a nossa Bahia, contribuiram para essa para essa decadencia, essa desgraça através do Jaques Wagner. Tomara que o povo não cometa outro erro em Outubro.

Interessante é que Antônio Imbassaí o prefeito anterior sempre quis por ordem na casa, e nem sequer foi ao segundo turno, agora muita gente tem que colher o que plantou.

Inclusive o pessoal simpático e trabalhador das barracas de praia que a Prefeitura mandou destruir todas as barracas deixando os barraqueiros de cuia nas mãos e todos os ambulantes que foram na conversa do diabo !!!

Continuando amigos turistas ... Lagoa do abaeté, abandonada com uma invasão terrível bem próxima dela, onde ocorre assaltos, agressões e até estupros, parques abandonados, pelourinho a míngua, a belíssima Praça da Piedade em frente a Secretaria de Segurança Pública, local que tem mais ladrão e pivetes por metro quadrado. As mulheres e os aposentados que digam. Além dessa praça servir de motel, sanitário público, lavanderia e dormitório de mendigos ladrões, sacizeiros e vagabundos......Será mesmo Salvador essa capital do turismo? Ridículo.

Contudo.....Parabéns para os amigos comerciantes que estão tendo o que todos nós precisamos ter: iniciativa, coragem e cidadania!! É isso aí! o dia que o povo perceber a força que tem, a realidade terá a transformação que tanto sonha, apesar desses governos; um morto e o outro incompetente.

O centro histórico, não é só da Bahia mas do Brasil, é onde tudo começou, e está tão abandonado !!!É uma pena ver o pelourinho como está, a população tem até medo de ir ao local .

Tenho 50 anos e cansei de ir ao pelourinho de mãos dadas com minha mãe aos 5 ou 6 anos de idade. Por isso me corta o coração vê-lo abandonado assim .

Fica até parecendo uma vingança perversa às bem-feitorias feitas pelo falecido ACM e seu eficiente grupo que não envergonhavam a Bahia.

Inclusive se ACM fosse vivo ou se não fosse o PT que governasse o nosso Estado ou se nosso governador fosse baiano, a situação das barracas de praia já teria sido resolvida a muitos séculos.

No Pelourinho também, a pobreza está tirando os turistas que circulam todos os dias na região, é óbvia. A quantidade de pedintes nas ruas, principalmente em épocas de temporadas, é alarmante. Aliás, todos os nativos falam inglês, desde pequenos, o necessário para arrumar algo com os estrangeiros. O entorno do Pelourinho é abandonado e tem cor, a pobreza é negra nas comunidades, que não são poucas. Logo ao lado das igrejas históricas, da Casa de Jorge Amado, doELEVADOR LACERDA, pontos que os turistas registram em suas máquinas fotográficas quase que mecanicamente, existem a rua da Independência, da Liberdade e a 28 de Setembro, por exemplo, lugares onde funciona o tráfico varejista de drogas. Tooodo mundo,vê menos a polícia. O crack está devastando gerações, na rua, à luz do dia. Ao me dirigir a Praça da Sé para comprar matriais eletrônicos como faço toda semana, curiosamente no trajeto perguntei a um flanelinha, viciado na droga como é que iam as coisas por ali , e ele me disse que à noite as vielas nos arredores ficam lotadas.

Hipocrsías à parte, todo mundo que circula por ali sabe que só existe tráfico ali graças à polícia local. Volta e meia, agentes da polícia civil aparecem, mas os guardas que permanecem no dia a dia são, no mínimo, omissos ou coniventes com a venda das drogas. Na Bahia, do ano passado para cá, foram mortas cerca de 2.300 pessoas, disse. As cadeias estão lotadas, o destino desses meninos são a morte, a seqüela das violações ou a prisão, milhares deles.

Gente, a realidade é a seguinte: Depois de ACM, sinceramente não vi mais nenhum governante fazer nada pelo Pelourinho essa é a realidade.

Finalizando, que essas e outras barbaridades e absurdos que estão acontecendo aqui em Salvador sirvam de exemplos para as eleiçções vindouras....Só quero ver se teremos esse incompetente do Jacques Wagner por mais 4 anos!
e o incompetente do João Henrique também !!!


JOSE JOAQUIM SANTOS SILVA
jjsound45@hotmail.com

Link Original: http://www.paralerepensar.com.br/paralerepensar/texto.php?id_publicacao=11877

ONGs: a urgência de um novo marco regulatório


A recente onda de denúncias relacionadas à Operação Voucher, da Polícia Federal, que resultou na prisão de ocupantes de cargos no Ministério do Turismo, pelo suposto envolvimento em desvio de recursos públicos por meio de convênios firmados com organizações não governamentais (ONGs), explicita novamente a importância de regulamentação da atuação das organizações da sociedade civil no Brasil e de se elaborar uma política de Estado que assegure autonomia política e econômica a elas.

O debate se insere em um contexto de deslegitimação e criminalização das ONGs e movimentos sociais, a despeito de seu protagonismo no processo de democratização do País, das experiências que desenvolvem na área social e da sua participação na articulação de movimentos de cidadania planetária. Ainda que seja fundamental a atuação das ONGs na conformação de relações sociais mais igualitárias, permanece a insegurança jurídica neste campo de atuação. Isto prejudica o necessário fortalecimento dos processos organizativos e participativos em que as organizações se inserem, e favorece práticas clientelistas engendradas nas relações entre governantes, entidades de fachada e iniciativa privada.

Por isso, durante o processo eleitoral, em 2010, cerca de 200 organizações e movimentos sociais, dentre as quais a ABONG, subscreveram e encaminharam aos presidenciáveis uma Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil. Respondendo à iniciativa, Dilma Roussef se comprometeju a, no prazo de um ano após a posse, construir esse novo marco político e legal articulando as instâncias governamentais envolvidas e as organizações sociais. Em seu primeiro discurso no governo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estipulou um prazo de seis meses para equacionar o problema. Além de iniciar o diálogo com as diversas instâncias governamentais que precisam ser engajadas nos trabalhos, como os ministérios da Justiça, Saúde, Educação e Desenvolvimento Social, Fazenda, Planejamento e Controladoria Geral da União, a Secretaria Geral da Presidência promoveu uma primeira reunião com os representantes da Plataforma em maio. A comissão de trabalho mista, entretanto, ainda não foi oficializada.

A ABONG e os demais representantes de organizações da sociedade civil estão apreensivos com a morosidade dos encaminhamentos. Temos a certeza de que o fortalecimento da participação cidadã e o combate à corrupção são ações estruturantes para o desenvolvimento da democracia brasileira e precisam ser tratados com a devida prioridade. Precisamos de leis, normas e regulamentações que estimulem o envolvimento da cidadania em causas públicas e garantam o acesso democrático a recursos públicos, com mecanismos que permitam tanto a utilização eficiente dos recursos alocados quanto sua ampla publicização para controle social.

Isto passa necessariamente pela configuração de uma democracia participativa no Brasil, a partir da criação e melhoria da qualidade de espaços e processos que estimulem o envolvimento de novos atores em questões de interesse público. Para tanto, é igualmente fundamental que organizações e governos se comprometam com a intensificação e melhoria da qualidade de suas atuações e com o aperfeiçoamento das práticas de gestão e transparência. Nesse sentido, ressalta-se ainda a importância de fortalecimento da Proposta de Iniciativa Popular de Reforma Política, lançada em 16 de agosto, para uma coleta de assinaturas que torne possível seu envio ao Congresso Nacional. Trata-se de uma reforma política ampla e democrática, que propõe mudanças para além do sistema eleitoral e reivindica a inclusão de grupos sociais tradicionalmente alijados dos espaços de poder.

Dentre os efeitos nocivos da criminalização das ONGs no Brasil está a possível diminuição do engajamento da sociedade na esfera pública e nas ações coletivas que visam o bem comum. Frente a isso, é fundamental a qualificação do debate público acerca deste tema, o que requer uma abordagem mais pluralista pela imprensa, com abrangência condizente com a diversidade de atuações das organizações da sociedade civil. Para construirmos relações sociais mais democráticas, é preciso restabelecer a confiança da sociedade em sua própria capacidade de gerir seus destinos, com base em valores de equidade e justiça, incentivando o engajamento de mais cidadãos e cidadãs em causas de interesse público.

ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

sábado, 20 de agosto de 2011

Morrer para Viver


Por Islan Nascimento

Neste espaço em que refletimos sobre saúde, você deve estar pensando que mudamos o foco... Sempre que se fala em saúde relacionamos logo com a palavra VIDA. Também faço essa ligação. Todo médico faz. Toda a gente faz...

Acontece que um evento que só ocorre uma vez em toda nossa vida, que é bem mais importante que qualquer outro. Mais até que o dia em que sua filha se casa com o melhor dos maridos (quem é pai vai entender essa comparação). Esse evento é deixado de lado, é tema para não se conversar: O Morrer.

Muitas são as maneira erradas que se aborda o tema: filmes de terror, os programas de TV do meio-dia sobre os assassinatos da cidade, o suicídio de jovens na capa do jornal,... Sempre algo distante e fictício. Até que um dia. Sem que a procuremos. Ela entra em nossas vidas, sem ser chamada. E por mais que ela exista, e sempre existirá, nos pega desprevenidos, sempre.

No momento que ela aparece, abre-se um portal para outros aspectos do conhecimento humano. Não há mais a ciência, a medicina, a razão. Agora é assunto para as religiões, o sobrenatural, a emoção. Fica a pergunta: O que acontece na morte e após ela?

Há três décadas, o psiquiatra norte-americano, Raymond Moody Jr. trouxe ao conhecimento do grande público uma coletânea de relatos de EQM - Experiência de Quase Morte, através do livro "Life after Life" (1). Os pacientes trazem todos os sintomas de morte clínica: ausência de batimentos cardíacos e resposta neurológica aos estímulos. As vítimas, ao serem “ressuscitadas”, relatam que flutuaram sobre o seu corpo físico, acompanharam os acontecimentos e perceberam que possuem outro corpo, e que sua consciência acompanha este novo corpo, de natureza extrafísica. Pacientes encontram-se com seus familiares e amigos já falecidos, com imensa alegria. Todos lhe dizem das tarefas desenvolvidas neste mundo extra físico, da necessidade de continuar trabalhando, evoluindo e estudando, que os laços familiares não se rompem, pelo contrário, se fortalecem através do amor e do perdão.

Mas algo muito importante fica com essas pessoas que passam por estas experiências: a valorização da vida e a menor preocupação com as coisas materiais. Falam da sensação de felicidade por estarem perto de seus familiares e amigos. Muitos mudam suas maneiras de viver.

Do lado da ciência os pesquisadores mais e mais buscam entender estes eventos de “Quase Morte”, quem sabe encontrando nossa porção espiritual nestas experiências. Abre-se assim uma nova área de pesquisas, que ajudará, entendendo melhor a morte e termos uma vida mais cheia de VIDA.

Do nosso lado fica a pergunta: será que precisamos “quase morrer” para que os verdadeiros valores da vida possam ser buscados? Entendendo a Morte poderemos ter mais VIDA? Para muitos a morte ainda será uma grande surpresa, ainda terão que MORRER PARA VIVER...

1 - http://magazine.godsdirectcontact.net/portuguese/179/ss_38.htm

domingo, 7 de agosto de 2011

Basta de violência !!! Capital e interior pedem socorro !!!


A taxa de homicídios em Salvador - 61 por 100 mil habitantes - é 5 vezes maior da que a ONU estabelece como suportável para grandes cidades: 12 por 100 mil. Os números em todo estado também são altos: 36 por 100 mil habitantes.



Pelo segundo ano consecutivo a Bahia de TODOS NÓS (???) registra o maior numero de casos de homicídios de homossexuais, em todo o Brasil.



Na maioria dos bairros da capital baiana, moradores vivem com medo de sair de casa. As estatísticas oficiais explicam este sentimento: nos últimos cinco anos, o número de homicídios cresceu 50% na Bahia. E, em Salvador, o aumento foi de 70%.



Por 25 anos, o módulo policial funcionou nos bairros como posto de socorro da segurança pública. Era o primeiro lugar que os moradores buscavam nos momentos de perigo, quando se sentiam ameaçados ou atingidos pela violência.



Com a desativação desses módulos, os índices de violência nos bairros aumentou consideravelmente. Os carros de polícia fazem ronda mas a população não se sente segura. Há uma unanimidade em relação a importância da reativação dos módulos mas o governo, embora eleito para servir ao povo, lamentavelmente se recusa a ouvi-lo. Os líderes comunitários dizem que na época dos módulos a população se sentia protegida. Para os moradores de bairros como o Acupe de Brotas , onde a violência era praticamente inexistente quando o módulo funcionava. As viaturas chegam apenas depois do crime acontecido. Já os módulos servem para inibir as ações dos criminosos.



No interior da Bahia, uma onda de assaltos a bancos tem apavorado as pequenas cidades. Os bandidos utilizaram dinamites para explodirem caixas eletrônicos e fogem, sem ao menos serem perseguidos. Isso acontece porque essas cidades, em sua maioria, não tem a mínima estrutura, nem de pessoal e nem de equipamentos para combater ou mesmo prevenir os crimes. É uma media de três policiais por cidade. Isso parece uma piada mas não é.



O Governo faz investimentos como a implantação de programas de proteção ao cidadão e da implantação de UPP em Bairros contaminados pelo trafico, como o Calabar. Investe em efetivo policial na capital e Região Metropolitana, dois mil novos policiais militares, segundo o próprio governo, mas igual aos governos anteriores, não consegue trabalhar com prevenção, apenas com combate. Precisamos de ações de prevenção. A Lógica não pode ser apenas de combate. Fazer investimento público em programas e campanhas de prevenção, democratizar a segurança no sentido de interiorizá-la para todo estado, é o que se espera de um governo que tem como slogan, “UMA BAHIA DE TODOS NÓS”.



O MOVIMENTO SALVADOR PELA PAZ solidariza-se com a população de Salvador , também com o interior. Para o Coordenador da ONG, sediada na capital,o Sr. Jupiraci Borges “ a capital e o interior estão as moscas e jovens que poderiam estar estudando estão sendo cooptados pela criminalidade. O Governo pode dizer que é de TODOS NÓS e DE TODA A BAHIA, mas não é o que vemos nos noticiários, nos boletins de ocorrências e no fatídico cotidiano das cidades baianas. Somos ainda, infelizmente, desiguais em tudo”, conclui.



O mais triste é percebermos que os moradores dessas pequenas cidades, antes de portas abertas hoje já adotam as grades e elevam seus muros para sentirem-se seguros. Nada mais de jardins e quintas à mostra. Todos e Todas estão cada vez mais encarcerados em suas casas. É uma pena chegarmos a esse ponto. Muda-se a paisagem bucólica e a rotina na vida de nosso povo e o governo não consegue eleger suas prioridades e combater efetivamente essa onde de violência. Somos todos vitimas da incompetência e do descaso. Ta na hora de dar um basta !!!.



Com a palavra, o Governador ...

sábado, 23 de julho de 2011

"O projeto petista encalhou, uma precisa de revisão"


Claudio Leal

"O projeto petista, no Brasil, precisa de uma revisão. Ele encalhou. Nós estamos vivendo um momento de estagnação. Total", criticou o jornalista e mestre em filosofia política pela PUC-SP, Francisco Viana, que lançou este mês o livro "Marx e o labirinto da utopia".

A obra investiga as relações entre o filósofo e economista alemão Karl Marx e o pensamento de utopistas do século XIX, como Charles Fourrier, Saint-Simon e Robert Owen.

Colunista de Terra Magazine, Viana já foi repórter e editor no jornal O Globo e nas revistas Senhor e Istoé.

Desde 1993 ele se dedica à Comunicação Organizacional, com especialidade em gestão de crises e planejamento estratégico.

O livro está disponível, em versão digital, na loja virtual Amazon.

- A luta humana de Marx para cá, dos utopistas para cá, é a luta por uma reforma ativa. Os utopistas acabaram pegando em armas, e eram contra as armas - afirma Viana.

"Todos se interrogaram quanto à antecipação do futuro, sem a exploração do homem pelo homem, sonho perseguido desde a Grécia Antiga e que ganhou intensidade no Renascimento. Trata-se de uma vontade que hoje se encontra sufocada pelo consumismo, mas que está ressurgindo e vai ganhar força crescente. O importante, e nós vamos conquistar, é construir uma democracia como a grega, só que sem escravos", analisa Viana, em "Marx e o labirinto da utopia".

Nesta entrevista, Viana associa seu livro ao debate sobre as contradições do crescimento econômico brasileiro.

"Nós estamos vivendo uma ilusão. Onde está o projeto de esquerda ou à esquerda no Brasil? Não existe. Onde está a utopia brasileira? Comprar mais carros?", questiona.

Terra Magazine - Qual a atualidade de falar do marxismo num momento de crise financeira mundial?

Francisco Viana - O marxismo não se concluiu. É uma questão em aberto. Porque, na verdade, o marxismo nunca existiu. O que existe é o pensamento de Marx, uma outra coisa diferente do marxismo. Tanto que, na minha tese de mestrado na PUC (SP), em nenhum momento eu usei a palavra "marxismo". Usei "pensamento marxiano". Porque há uma grande diferença entre o marxismo e o pensamento de Marx. O pensamento de Marx foi o que ele concebeu como emancipação do homem. É a emancipação do trabalho. Se você olhar, o que é a vida, hoje? Vamos esquecer a sociedade de classes, vamos esquecer o capital... E vamos pensar no seguinte: o que é a vida? É uma batalha infernal pela sobrevivência. Que, guardadas as proporções, é uma batalha pior hoje do que no tempo do homem primitivo. O homem lutava contra as feras e o meio ambiente. Essa batalha mudou de forma, mas o conteúdo dela é o mesmo.

Marx pensou numa sociedade livre da ditadura do trabalho. Ele diz isso em sua obra, principalmente "A Ideologia Alemã" (1845-1846) e "A Sagrada Família" (1845) e, condensado, em "O Capital"... A luta do homem influencia as relações do homem consigo próprio e com a produção. Qual é a diferença entre uma Mercedes e um fusca? A publicidade. O fusca anda, e a Mercedes anda. Qual é a diferença entre um cara com muito dinheiro e o cara que não tem dinheiro? Nenhuma. O que vai definir o ser humano é o conteúdo, não a grana que ele tem. Essa capacidade, maior ou menor, que a pessoa tem de ser escrava ou não ser escrava da produção, é que vai diferenciar o ser humano. Então, Marx não morreu. O que definhou foi o marxismo, porque conseguiu em grande parte eliminar a economia de mercado, mas não conseguiu aquilo que Marx mais desejava: o homem pleno, livre. A dificuldade das sociedades de hoje é que, cada vez mais, as pessoas são livres, mas permanecem escravas do capital e do trabalho.

Mas houve um refluxo desse marxismo, que inevitavelmente é associado ao pensamento de Marx.
E não podem ser dissociados, até porque essa vertente do pensamento de Marx é leninista. Por sua vez, é a vertente que vem do jacobinismo, de Robespierre. Não é uma coisa estranha ao pensamento de Marx. Há um momento da vida de Marx, o da Comuna de Paris, que ele chega à conclusão de que você só conseguiria vencer a sociedade de classes pela força. Curiosamente, não foi ele que chegou a essa conclusão.

Quem foi?

A originalidade do meu livro não está na discussão de Marx, mas no entrelaçamento entre o pensamento de Marx e os chamados "utopistas", na definição de Engels. Os utopistas são três: Charles Fourrier, Saint-Simon e Robert Owen. Esses utopistas defendiam uma transição pacífica para o socialismo. Mas, curiosamente, são eles que vão empalmar a luta armada em 1848, quando há uma grande revolução europeia, que acontece quase que simultaneamente ao lançamento do Manifesto Comunista, mas que não foi um movimento motivado pelo Manifesto. Foi um movimento que já tinha uma raiz utópica, quer dizer, uma raiz do desencanto do utopismo e que vai chegar no seu ápice em 1870, que é quando fecha o ciclo da Revolução Francesa. Ela não termina com Napoleão, é a tese que eu defendo. Mais uma vez, ela vai ser incentivada pelos utopistas.

Uma coisa curiosa: Marx foi contra a rebelião no início. Sempre foi contra rebeliões. Ele entendia que o operariado só devia se levantar se estivesse organizado e consciente do que iria acontecer. Mas ele se torna a favor, é o principal escritor e propagandista, com o risco da própria vida, inclusive, em Londres, porque foi acusado de sedição, de querer exterminar a coroa... Ele é contra antes, mas quando acontece, empalma o processo. Lênin percebeu isso. Se nós formos ver também a história, Lênin vai pregar a Revolução Russa quase que por um impulso das contingências, mas não porque ele pensasse no levante. Os bolcheviques eram minoria.

Não há um descrédito da palavra "utopia"?

O que ocorreu para haver esse desgaste? Hoje, a utopia é uma coisa improvável.
Mas isso aí já existia nessa época. E eu falo muito. Foi um trabalho que a direita e os conservadores conseguiram fazer e foram vitoriosos. Como nasce a utopia? Ela existe desde os tempos mais pretéritos, desde a Grécia antiga. A utopia era a mudança da vida social. Não é nada mais do que algo que ainda não aconteceu. Quando Thomas More escreve "Utopia", era uma sociedade igualitária. Agora, o grande utopista foi Marx. Quem criou a designação "os utopistas tradicionais" foi (Friedrich) Engels. Ele articulou, embora Marx fale muito dos utopistas, das propostas utópicas. Porque ele não acreditava na reforma. Ele entendia que as coisas só seriam mudadas se houvesse uma revolução. Não é por acaso que Marx entende que a revolução do proletariado acabaria com as classes. Ele entendia o proletariado como todos aqueles que abraçam a causa do trabalho, e não aqueles que abraçam a causa da exploração e a acumulação do capital. Marx era um leitor assíduo dos utopistas. Lia Bacon. Ele cita Thomas More não como um utopista ou um romancista, ele o cita como uma fonte real. Cita como se fossem fontes. Essa é uma parte de Marx que foi pouco lida e discutida.

Esses livros foram descobertos por acaso, numa época em que o stalinismo estava em alta. A reconstrução da obra de Marx, na União Soviética, foi uma epopeia. Porque a Alemanha, que detinha a obra de Marx, se recusava a que os livros saíssem de lá. Então, os livros tiveram de ser copiados. Reelaborar essas obras de Marx foi um trabalho infernal, no final do século 19, depois da morte de Marx, quando Engels começa a reconstituir a obra de Marx, um trabalho de aplanamento... Marx era desorganizado. Engels que fez esse trabalho. Eles se aproximaram mais pelas diferenças do que pelas similitudes. Marx era um cara que gostava do casamento, era bagunçado, não gostava do dinheiro, escrevia hoje uma coisa e amanhã não concluía. E Engels percebeu que Marx era um gênio. Como era um cara que nunca casou, totalmente contrário a essa história, Engels era organizado em tudo. Quando Marx morre, ele era conhecido dos russos. Os russos começam a se aproximar ainda antes da morte.

Como evoluiu a recepção a Marx é uma história à parte? De que forma o pensamento de Marx é usado, hoje, para explicar a crise econômica de 2008?

Há uma tentativa, há um caminhar de se rediscutir Marx. Qual é a atualidade de Marx? Outro dia, com um amigo que gosto muito, mas não leu Marx, eu estava falando da "Economia Política". E ele me corrigiu: "Você está querendo dizer 'a política econômica'?". A economia política é onde aqueles que detêm o poder, a força, o capital, dão o golpe na sociedade. A atualidade de Marx não está, hoje, na luta de classes, até porque a classe operária, que Marx conheceu, se diluiu. Hoje nós temos a classe trabalhadora, que envolve, inclusive, os executivos das grandes empresas. É outra coisa que as pessoas têm dificuldade em perceber. Na essência, embora Marx tenha criticado Hegel a vida toda, Marx nunca deixou de ser hegeliano, nunca abandonou a teoria do escravo e do senhor, de que o que diferencia o senhor do escravo é que o senhor não tem medo de morrer. O escravo tem. Há duas consciências. A ativa e a passiva. Marx sempre imaginou a consciência dialética, e a ativa que vai criando a consciência no embate. Todos esses movimentos de defesa do consumidor, de justiça, se isso fosse levado à prática, acabaria com o capitalismo.

Mesmo com a regulação?

Mesmo. Sempre gosto de temas cotidianos. A mulher do call-center. Imagina se ela chega e diz: "Eu me recuso a ligar para o cliente na hora tal". Imagina se os publicitários dissessem que, a partir de hoje, eles não iludiriam mais as pessoas com as propagandas. Imagina se todos nós passássemos a ter atitudes coerentes com o que se chama de ética. Marx nunca abraçou o sentido da ética tal como ela é concebida, a ética discursiva. Ele sempre abraçou a ética prática, de classe. Se a gente transpusesse esse sentido que está na "Sagrada Família" para os dias de hoje, o que seria a ética? A ética do cidadão. O cidadão dizer: "Não vou enganar o outro". O que Marx ambicionava, no fundo, era a verdade e o bem. Conheço pessoas que dizem: "Eu sou um ser ético". Ele é ético até o momento em que haja um conflito entre o interior e o exterior dele. E há essa coisa: "Mas é o meu emprego, o meu trabalho...".

Hegel tinha a consciência e a percepção de que há um momento, no mundo, em que as antigas práticas acabam. Mas, na realidade, eles não acabam. Vamos pegar um exemplo atual. O duelo entre o Pão-de-Açúcar, de Abílio Diniz, e o grupo francês Casino. Vamos fazer uma análise hegeliana do termo. São dois senhores brigando. Duas pessoas que não têm medo de morrer. Qual é a diferença? O presidente do grupo Casino (Jean-Charles Naour) é uma pessoa sofisticada, do mundo, um comunicador de primeiríssima linha, que deu um tiro mortal no Abílio Diniz. Qual foi o tiro mortal? A palavra "expropriação". Aí está a nuance. Abílio Diniz se comporta como senhor, mas ele só sabe lutar como o antigo senhor de engenho. Ele não tem a sofisticação do outro. Ele nunca discutiu a palavra "expropriação".

É também uma guerra semântica?

Sim. A palavra "expropriação" vai surgir na Inglaterra na época em que surge "utopia", no século XVI, quando a elite inglesa expropria as terras da Igreja. Quer dizer, se ele (Abílio) tivesse esse estofo intelectual para o enfrentamento, a guerra deixaria de ser semântica. Não podemos, numa sociedade que pretenda ser socialista, abolir o empresário. Porque tem uma energia para levar a sociedade adiante. Mas esta energia tem que estar sob controle. O próprio governo brasileiro recuou porque não teve capacidade de discutir essa palavrinha, "expropriação".

Como o Brasil se situa no debate sobre Marx?


Não se situa. O Brasil está vivendo a ditadura da economia, no pior sentido.

Mesmo com o Partido dos Trabalhadores?

Mesmo com o PT, e sobretudo com o PT. Veja, eu votei na Dilma, entendo que o projeto includente da sociedade é o melhor que tem, mas isso não abstrai a crítica à esquerda. Qual é o sentido de você promover uma inclusão social? Uma inclusão que se dê apenas pelo consumo pode guinar à direita ou à esquerda...

Pode conduzir a uma nova crise?

A uma crise imensa. Nós não temos, de um lado, aproveitado esse largo período de liberdade para criar uma consciência social, uma participação ativa na vida social, a partir do próprio exemplo da classe dominante. Quando falo na classe dominante, não estou falando de burguesia e proletariado, mas dos que organizam intelectualmente o poder. Veja o caso Palocci. Quem melhor definiu foi um prefeito do interior de São Paulo: "Palocci tinha se aburguesado". Vamos deixar de lado a questão do que devia se investigar na vida dele, o tráfico de influências etc. Palocci se tornou outra pessoa. Ele perdeu a raiz, a matriz de onde ele veio. Aí está a diferença. Os grandes revolucionários eram homens íntegros. Robespierre era chamado de "o incorruptível". Nós estamos vivendo uma ilusão. Onde está o projeto de esquerda ou à esquerda no Brasil? Não existe. Onde está a utopia brasileira? Comprar mais carros? Ter mais financiamento?

Que é uma coisa que foi muito propagada e defendida por Lula, no governo passado. Para onde caminha o crescimento brasileiro?
Tenho muita dificuldade de projeção. Mas os indicadores são de que nós não resistiríamos à primeira crise. As crises são contidas pelo consumo. Estamos repetindo, no Brasil, com a diferença de que temos um espaço grande a ocupar, o mesmo movimento neoliberal do mundo inteiro: política sem massa. A diferença é que Lula é uma pessoa orgânica. Veio de dentro do movimento sindical...

E tem a percepção da pobreza.

Quase de um pai: "Segura a barra, contenha a ansiedade". Se formos destampar a panela, o que vai acontecer? Hoje, por que o Brasil precisa sediar uma Copa? Qual é a vantagem? Qual é a utopia brasileira? Qual é o sonho brasileiro? O Brasil é, ainda, uma grande miragem. Com dados bons e perspectivas, mas sem mudanças que alterem a economia política, sem um trabalho das entidades de trabalhadores para que as pessoas tenham realmente consciência do que elas estão fazendo.

Ultimamente, não se fala mais em reformismo do que em revolução, até por influência de Gramsci?

Se for um reformismo efetivo e consciente, ele é muito mais contemporâneo do que a revolução pela revolução. Porque o pensamento de Marx, se nós formos olhar no conteúdo, é muito mais reformista do que revolucionário. A expressão "ditadura do proletariado" surge na medida em que a reação vai se ativando e a capacidade do trabalhador de enfrentamento dessa sociedade vai se arrefecendo. A luta humana de Marx para cá, dos utopistas para cá, é a luta por uma reforma ativa. Os utopistas acabaram pegando em armas, e eram contra as armas. Por que estigmatizam tanto o agitador? Uma pessoa motivada, consciente, arregimenta os outros - e essa pessoa é, naturalmente, considerada diferente e excluída. O mérito do Lula, seguramente, foi isso. Não de fazer reforma econômica, mas de mostrar que é possível que o trabalhador, no sentido amplo, mude, tenha um projeto diferente. Mas esse projeto petista, no Brasil, precisa de uma revisão. Ele encalhou. Nós estamos vivendo um momento de estagnação. Total. Não é por causa da Dilma ou de indivíduos. É por causa do projeto, que precisa ser revisto. Ele completou o ciclo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Agressões e mortes exigem criminalização "urgente" da homofobia, defendem especialistas

Crimes recentes e chocantes como a agressão a pai e filho confundidos com um casal gay em São João da Boa Vista (SP), no último fim de semana, ou o assassinato do operador Danilo Rodrigo Okazuka, 28, em Barretos, nesta terça (19), representam picos de violência que só podem ser revertidos caso se defina, “com urgência”, uma legislação específica que criminalize a homofobia.A opinião é compartilhada por juristas e advogados especialistas em segurança pública e na defesa dos direitos de minorias consultados pelo UOL Notícias nessa terça-feira (20) --um dia depois da morte de Okazuka, segundo a polícia, por motivação homofóbica, e um dia após o juiz em São João ter negado a prisão preventiva de um dos agressores confessos do pai do jovem de 18 anos. Ele abraçava o próprio filho em uma feira agropecuária da cidade, pouco antes do ataque, e instantes depois de ter sido abordado por um grupo que questionava se eles eram um casal homossexual. O rapaz se feriu sem gravidade, mas o pai perdeu a maior parte da orelha direita.Os três especialistas ouvidos pela reportagem se mostraram preocupados com a frequência de casos --que se "popularizaram" na mídia principalmente após sucessivos ataques a gays na avenida Paulista, no ano passado, em São Paulo --e com a violência empregada contra pai e filho no interior paulista. Paralelamente, no Congresso brasileiro, o projeto de lei complementar que criminaliza a homofobia, o 122/2001, não tem sequer perspectiva de ser levado a votação, ante a grande resistência à matéria principalmente entre as bancadas religiosas. Mês passado, porém, o STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

"Insensibilidade" na magistratura

Para Walter Maierovitch, desembargador do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, a recente aprovação de mudanças nos critérios para prisões preventivas pode reforçar a conduta de criminosos que agem também contra as chamadas minorias.Pela alteração vigente desde o último dia 4, por exemplo, pessoas que cometerem crimes leves --aqueles puníveis com até quatro anos de prisão –, e nunca antes condenadas por outro delito, só serão presas em caso de condenação final, em situações de violência doméstica ou quando houver dúvida sobre a identidade do acusado. Não é o caso, portanto, do agressor confesso do interior paulista.“Atravessamos um momento muito difícil, e a opinião pública quer mudanças.

Mas infelizmente temos leis equivocadas e morosidade na Justiça, o que só faz aumentar o sentimento de impunidade e a sensação de medo”, destacou. Na avaliação do jurista, mesmo que o conjunto de leis nem sempre atenda a demanda a contento, também há “a insensibilidade de muitos magistrados que, cada vez mais, adotam uma linha ideológica perigosa”: “Uma prisão dessas [em caso de homofobia] nada tem a ver com prisão de sentença final, é uma medida de segurança social. Manter soltas pessoas que violam direitos elementares, que não conseguem ter uma visão de sociedade igualitária, é algo muito perigoso ---são crimes de caráter grave, ou, como no caso desse pai agredido, gravíssimo: são pessoas que não conseguem dominar os próprios impulsos”, defende.Maierovitch se diz contrário à criminalização da homofobia por avaliar --a partir de outros países que criminalizaram, por exemplo, o uso de entorpecentes --que a medida não reduziria os casos. Mas ressalvou: “Ainda que eu não acredite que criminalizando se vá reduzir o número de casos, estamos em um estágio perigoso legitima, sim, a criminalização. É pela educação e por mudanças culturais que isso se resolve, mas esses bandos têm saído impunes e não dá para a sociedade ficar sem uma resposta”.

Reforço na luta pela criminalização

Para a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), situações como as registradas em Barretos e São João da Boa Vista não tiram a força da discussão sobre a criminalização.“Temos uma legislação estadual em São Paulo [a lei 10.948/2001] que pune homofobia na esfera administrativa --com multas e outras sanções, por exemplo, a quem discrimina essas minorias no comércio. Mas não há nada no sentido de criminalizar, por isso precisa haver lei federal”, pondera a presidente da comissão de Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB-SP, Adriana Galvão. “E o Congresso tem que refletir sobre isso, pois daqui a pouco não teremos mais o limite do respeito em nenhum aspecto --senão é muito simples uma pessoa simplesmente caminhar, conversar e outros acharem que, homossexual, ela tem que ser agredida”, destacou.Conforme a advogada, a comissão foi criada em janeiro deste ano e, de março até semana passada, recebeu pelo menos 38 denúncias de supostas vítimas de homofobia. O número é considerado alto pela comissão. “Não há o Estatuto do Idoso, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a Lei Maria da Penha? Precisamos sim de uma lei que proteja o homossexual, pois está em grupo que é vitimizado –inúmeras vezes, verbalmente, mas é disso que deriva uma agressão física”, concluiu.

Estatuto LGBT

A presidente da comissão da Diversidade Sexual na OAB nacional, a gaúcha Maria Berenice Dias, disse que até o final do mês que vem a ordem apresentará um projeto de Estatuto da Diversidade Sexual que trata dos direitos da população de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT).Especialista em direito de famílias formadas a partir da união homoafetiva, a advogada explicou que o estatuto tratará não apenas de adoção pro casais do mesmo sexo, como a punição para atos de discriminação ou preconceito contra homossexuais.“Fatos como o desse pai agredido infelizmente acontecem e só evidenciam a necessidade de uma legislação específica –a falta de lei é que dá a sensação de impunidade e legitima esse tipo de ação. Afinal, as pessoas podem ter uma convicção pessoal ou religiosa, mas não podem afrontar o direito do outro”, definiu.